segunda-feira, 6 de julho de 2015

Grécia diz NÃO a Oligarquia Financeira Mundial


O voto pelo "não" venceu com folga o plebiscito na Grécia neste domingo (5), rejeitando a proposta de socorro financeiro dos credores internacionais. A maioria das pesquisas, inclusive as realizadas neste domingo, previam uma vitória apertada do "não". Com 80% dos votos apurados, 61% haviam optado pelo "não" e 39% pelo "sim".

Desse modo, os gregos rejeitaram a proposta de socorro internacional feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo próprio bloco europeu. 

Após a divulgação do resultado, o primeiro-ministro Alexis Tsipras afirmou que "ninguém pode ignorar a vontade do povo" e voltou a dizer que a consulta era uma vitória contra a "chantagem".

Por trás da negativa dos gregos em aceitar a proposta de socorro financeiro, pode estar a possibilidade de um país sair da zona do euro pela primeira vez na história. Na última terça-feira (30), a Grécia se tornou a primeira nação desenvolvida a dar um calote de mais de 1,6 bilhão de euros ao FMI. 


Com o resultado das urnas, os credores internacionais precisarão decidir se o fluxo de dinheiro para o país seguirá aberto ou não.

Embora a maioria da população tenha votado "não" neste referendo, pequisas feitas neste domingo e também durante a semana passada apontaram que cerca de 75% da população grega é contrária à saída do país da União Europeia

Reportagem: Correio 24 horas / Valor

Por Cesar Benjamin

Recebo o resultado do plebiscito na Grécia com uma mistura de alegria, preocupação e tristeza. Alegria pela vitória do não. Os gregos recuperaram o que é essencial, a soberania. Estão de parabéns.


Preocupação porque o país deverá enfrentar um agravamento da crise no curto prazo, mas com melhores condições de sair dela adiante. É assim que os povos fazem história.

A história não protege povos medrosos. Tristeza pelo Brasil.

A liderança da esquerda grega dialogou com a sociedade, esclareceu as alternativas e as dificuldades, abriu um grande debate nacional – sem segurança de obter a vitória, pois o resultado da consulta era uma incógnita – e colocou o povo na condição de protagonista. Merece o nosso respeito.


Não lembro que nada disso tenha ocorrido no Brasil, nem uma só vez, decorridos mais de doze anos de governos supostamente de esquerda. Ao contrário. A governabilidade, aqui, foi construída por meio do loteamento fisiológico do Estado, um convite à corrupção sistêmica, e pela formação de uma gigantesca clientela de gente acomodada na pobreza, mas agradecida por receber do governo R$ 120,00 por mês.

O resultado está aí. Hoje, enquanto os líderes da esquerda grega confraternizam com seu povo, que amadureceu, os líderes da esquerda brasileira temem ser presos, a qualquer momento, por corrupção. Estão milionários, mas suas “consultorias”, suas “palestras” e suas contas no exterior os denunciam.

A menos de alguns candidatos a “camisas pardas”, que serão enxotados, ninguém se mobilizará para defendê-los. A sociedade que ajudaram a construir, enquanto enriqueciam, é muito mais conservadora do que a de doze anos atrás.

Lutei contra isso e perdi.
Tristeza pelo Brasil.

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