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Brasil: um caso por demasiado complexo

Por: Newton Schner Jr.

Pedro Bial comete a gafe em dizer “Anauê!” a um dos participantes de seu Big Brother, e logo é orientado pelo patrulhamento do politicamente correto: pede desculpas em público por tê-lo feito, uma vez que tal expressão remetia à saudação dos integralistas. E deixa escapar: “Ainda bem que essa raça [integralista] não existe mais”. E dá-lhe incitação a ódio!


A batalha vai ser dura…

Na última entrevista concedida ao Programa Jô Soares, da Rede Globo, o Dr. Enéas, ao aceitar um estranho desafio de improvisar um discurso que fizesse a junção das palavras “Democracia” e “carimbo”, disse simplesmente que “a Democracia é um carimbo”. Para ele, o uso em si não corresponde em nada com o que se acredita ter sido seu sentido original. Assim tem sido.

Para que todo discurso politicamente correto sugira sua aprovação junto à massa lobotomizada, é de bom alvitre citar entre uma frase e outra qualquer expressão que envolva “democracia”. Representantes “democráticos” discutem o ensino “democrático” dentro de um estado de direito “democrático”. Estranhamente o que menos se percebe em anos e anos de governo “democrático”, é justamente a forma mais pura de Democracia: o plebiscito. Da mesma forma como os porretes de Auschwitz (nazista, racista, antissemita) são utilizados para encerrar no ato o debate de ideias, a menção da terminologia “democrática” procura avalizar medidas completamente antagônicas ao interesse do povo – NR.

“Nosso povo está 'enfavélico'… E o sentimento de tristeza nacional é notório”, dizia o ex-deputado Enéas. E como a combatemos? Que refúgio nos é proposto? Que redenção? Assistirmos em família a estréia nos cinemas de um “Bruna surfistinha”, cuja verdadeira lição de vida foi ter se prostituído e feito a fama com relatos em um blog na Internet. “Que exemplo para os nossos jovens e para a Democracia!”, dirão alguns, “Uma verdadeira história de superação, de alguém que em muito tem a contribuir com o nosso povo!”.

Daniel Sender costuma dizer: “Em um país que está sendo uma verdadeira piada, o único candidato sério era motivo de gozações”


Pedro Bial comete a gafe em dizer “Anauê” a um dos participantes de seu Big Brother, e logo é orientado pelo patrulhamento do politicamente correto: pede desculpas em público por tê-lo feito, uma vez que tal expressão remetia à saudação dos integralistas. E deixa escapar: “Ainda bem que essa raça [integralista] não existe mais”. E dá-lhe incitação a ódio!

Para os ditos democratas e defensores da liberdade de expressão, a censura em Lobato foi “justificável”.

Enquanto trechos dos clássicos de Monteiro Lobato são censurados, “Amor e sexo” vai ao ar, com o mais explícito dos lemas: “Se seu assunto é sexo… Se é com homem, mulher ou ambos, por amor ou puro prazer indiscriminado, seu espaço é aqui, telespectador!”. E há milênios atrás, naquela Índia antiga, da qual retiramos tantos ensinamentos, um dia se previu que, entre os indicativos para um possível fim dos tempos, estaria a união entre homens e mulheres apenas pelo prazer de ordem sexual; mas os hindus não pensavam, àquelas épocas, que nossa realidade haveria de ser bem mais complexa: são hoje homens com homens, mulheres com mulheres, homens e crianças, mulheres e crianças, homens e animais, mulheres e animais, homens e objetos, mulheres e objetos, idosos com adultos, idosos com idosos, e assim por diante.


Quando um estado latente de indignação levava um apresentador como Alborghetti a esmurrar a própria mesa de trabalho, protestando contra a hipocrisia de uma comissão de Direitos Humanos, que presta mais assistência a assassinos que aos familiares das suas vítimas, todos se debruçavam a rir.

No mais rico de todos os países, vive-se em constante pobreza. O povo desconhece que temos o maior índice pluviométrico e a maior incidência solar de todo o planeta. Vive-se como que em um casarão, mas, por motivos específicos, as prateleiras e os armários se encontram vazios.

Em um lugar onde teoricamente o crime de racismo é previsto como inafiançável, vemos as mais claras propagações de guerras raciais, por parte de ninguém menos que os próprios representantes do governo. Enquanto um Tiririca é processado por racismo, ao brincar, dizendo que cabelo de negro é duro, sem quaisquer malícias, hits de “justiceiros” como MV Bill (e seu CD “Declaração de guerra”, que compara brancos a alvos que necessitam ser atingidos e eliminados) e Gabriel o pensador (e seu “Loira burra”) se transformam em sucessos nacionais, cantarolados aos quatro ventos.

“A batalha vai ser dura. Eu avisei que a guerra era inevitável. Pra quem tá na condições desfavorável (…). A luta é racial. A luta é social. Mais ninguém se espanta. Porque a é guerra santa (…). Quero mais guerrilheiros pra esta noite. Vida longa para os pretos, fim do açoite. Vou maquinar mais homicídio para esse dia (…). Fim de vida aos brancos, da covardia”. - MV Bill

Diante do impasse no aumento do que Sender definiu como “salário microscópico”, não se reage; em contrapartida, vai-se às lágrimas quando tal “fenômeno” se despede da carreira enquanto boleiro.

Um gênio da bola, um mestre, alguém a quem simplesmente os maiores elogios não são dignos de sua altura

Gustavo quem!?

Conforme se observa em “A festa da vitória”, devemos recordar que o mesmo Cazuza, cujos cuspes à bandeira brasileira ainda estão vivos em nossa memória, teve para si não apenas um monumento levantado, como várias mini-séries levadas ao ar, como se sua vida tivesse sido verdadeiramente heroica – um espelho para a juventude; em outra esfera, um Gustavo Barroso agoniza, quase próximo do esquecimento.

Brasil, demasiado Brasil...

Fonte:


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Comentários

  1. https://www.youtube.com/watch?v=0v5uvkszugk

    musiquinha legal pru cê por aí

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    Respostas
    1. PREFIRO A MUSICA PESTE NEGRA DO BRIGADA NS - NÃO ABRIU DIREITO CA A SUA

      Excluir
  2. PREFIRO A MUSICA PESTE NEGRA DO BRIGADA NS - NÃO ABRIU DIREITO CA A SUA

    ResponderExcluir

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