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O Espírito Sertanejo materializado no movimento do Cangaço


Por Jean Carvalho


O Brasil, de fato, é um Estado composto de diversas nações. Dentre todas, temos o ethos do sertanejo, a identidade nordestina que perfaz um sentimento de pertencimento, desenvolvida em um alto grau por diversas vezes negligenciada mesmo pelos mais sérios historiadores. Essas nações, contra sua vontade, por diversas vezes, foram e são reunidas sob um mesmo país e uma mesma bandeira que pouco expressam suas próprias identidades, um lema positivista sem nenhuma relação com a realidade e um falso progresso que sintetiza o retrocesso moral e civilizatório. Por diversas vezes, enxergamos reações dessas micronações e “pequenos ethos”, reações estas direcionadas contra o poder central. Foi o caso da “Revolução Farroupilha”, a insurreição dos povos do Sul contra o poder central do Império; a insurreição paulista; e outras lutas encarniçadas levadas a cabo pelos ideais de homens ou de grupos específicos. 

 Em toda a luta histórica observada no Brasil, enxergamos a identificação com o local, e não com o Estado. Os homens, de um modo ou de outro, sempre estiveram conectados à sua comunidade e ao seu local mais imediato. A falta de harmonia cultural e a falta de uma dedicada mecânica de construção histórica sempre levaram o país chamado Brasil a uma pobreza de um ethos maior que fosse capaz de conectar a todos os diferentes tipos e etnias em torno de uma só causa, e isso levou a uma maior regionalização das culturas, ainda muito presente nos dias de hoje. 

Dentre estas nações e povos que perfazem o nosso país, dedicarei a atenção aos homens do cangaço e o banditismo desenvolvido por Virgulino Ferreira, o eterno Lampião. Primeiro, é necessário estabelecermos um ponto passivo: o movimento do cangaço não era um movimento revolucionário ou ideológico do ponto de vista técnico. Os cangaceiros não se uniam por um ideal de sociedade ou pela vontade de necessariamente destituir o poder e instaurar uma alternativa em seu lugar. Não podemos comparar o tipo de luta estabelecida no sertão com o tipo de luta do paulista, do gaúcho ou do mineiro, pois aqui ela é descaracterizada da normativa revolucionária. 

Avaliemos, pois, primeiramente o cenário e o tipo de sociedade e política desempenhadas naquela região. A economia nordestina é e sempre foi principalmente agrária, embora, tardiamente no século XIX, algumas indústrias de couro e armamentos fossem estabelecidas. Entretanto, a parte do semiárido e aquilo que compõe o solo que podemos caracterizar como sertão apresenta entraves climáticos e geográficos ao exercício da agricultura. As chuvas são escassas e, pelas próprias altitudes de certos planaltos e chapadas, por vezes as nuvens carregadas são dificultadas no avanço para a região. O clima é desértico e extremamente quente. Uma intensa criação de gado, de cabras e bodes é elemento presente na agricultura sertaneja. Variedades de milho são cultivadas, entre outras culturas, como a cana de açúcar. 

Aparentemente pobre, o sertão é extremamente rico, tanto em fauna quanto em sua flora. Esses elementos despercebidos pelo homem alheio ao ambiente sertanejo e ao modo de vida daquela região são decisivos para a sobrevivência do homem local. A política na região foi herança direta do sistema de capitanias hereditárias e sesmarias, exercido ainda durante o período colonial. O coronelismo era o modo de estruturação do poder, e a figura do coronel era imbuída de poder quase que ilimitado. A autoridade governamental Federal sempre foi muito ausente no elemento sertanejo, e o próprio distanciamento geográfico e o pouco interesse na região, sempre vista como pobre e insuficiente, criavam um sentimento de abandono federal, o que facilitava o poder dos coronéis, senhores soberanos de suas terras. A maior parte da população vivia no campo, ou em pequenas cidades e lugarejos. O sertanejo é o homem pobre, sofrido, abandonado e imbuído de forte misticismo, daí o fato de figuras como o Padre Cícero exercerem tamanha influência e admiração nos corações do povo, especialmente o mais simples. Vivia dos trabalhos em sua própria terra, que não raramente era subtraída pelo coronel. Retirado, deveria sempre se encaminhar para outro local em busca de sua sobrevivência. 

Resignação e aceitação eram os sentimentos políticos do sertanejo. A aceitação dos elementos naturais e da condição climática e geográfica, aliados ao forte misticismo e a incapacidade de reagir perante os desmandos dos coronéis e seus jagunços, criava no sertanejo um sentimento de que tudo aquilo era reflexo da própria vontade divina, ou pela vontade de Deus, ou por simplesmente ter Ele se esquecido daquela região e daquele povo. O sertanejo não reagia contra o poder constituído, pois não possuía força mental para fazê-lo, ensinado desde pequeno que as coisas eram daquele modo, pois haviam de ser, e nada havia que pudesse ser feito contra isso. 

Não possuía os meios materiais, já que mal havia para si o que pudesse comer. Sua própria produção alimentar era ou subtraída pelo coronel ou destruída para dar lugar à pastagem do gado. O banditismo de Lampião e seus cangaceiros foi uma resposta ao status quo vigente, ao poder dos coronéis e à própria realidade do sertão. Se não possuíam o desejo revolucionário e de substituição do poder vigente, certamente possuíam um elevado espírito guerreiro e um refinado grau estratégico e combativo. Eram, em essência, dissidentes e rebeldes, e assim os podemos caracterizar, colocando-os em pé de igualdade com qualquer revolucionário socialista russo ou de qualquer movimento nacionalista europeu, mesmo que suas vontades e desejos fossem teoricamente diferentes, elas eram a expressão da revolta de um povo esmagado e oprimido pelas classes dominantes, a síntese da luta de classes e o duelo de interesses entre oprimidos e opressores. No sertão observamos o que foi provavelmente uma das maiores realizações heroicas e combativas da historiografia brasileira.

O cangaceiro não era um ideólogo, um militante partidário ou um sindicalista, não era parte de uma ideologia específica ou da esperança de um novo governo e uma nova sociedade. Eram, em sua maioria, homens e mulheres analfabetos, de baixa instrução e de uma vida sofrida que lhes impulsionava para necessidades mais imediatas do que a leitura ou o intelectualismo. Entretanto, engana-se quem considera os guerreiros do cangaço como ignorantes e inferiores. Aqueles que sabiam ler sempre interpretavam as notícias que eram vinculadas, e isso, aliado ao sensacionalismo e exagero dos jornais, lhes garantia sempre a antecipação às ações das forças repressoras. A sabedoria do homem nordestino é de um elevado grau, e os cangaceiros souberam unir seu conhecimento sobre o terreno e a vida sertaneja a um misto de intuição e interpretação dos sinais, o que lhes garantia imensa capacidade de mobilidade e estratégia militar. Os homens que compunham os bandos do cangaço não eram simples bandidos. 

Todos, sem exceção, possuíam algum fato pessoal que os motivava a lutar contra a autoridade e contra o poder constituído, especialmente o dos coronéis. Lampião testemunhou o roubo das terras de seus pais por um coronel e o assassinato de seu pai, Labareda teve sua irmã violentada, e Zé Sereno era perseguido tão somente por seus tios serem criminosos. Muitos ali assistiram a morte de um ente querido de forma covarde e cruel; muitos outros tiveram mulheres de suas famílias violentadas, especialmente pelas forças policiais; outros tiveram suas terras roubadas, ou sua dignidade afrontada por um coronel ou algum de seus jagunços; todos ali possuíam alguma razão não ideológica, mas sim, pessoal, para desempenharem a luta e se rebelarem contra a autoridade. 

O cangaço não foi uma criação de Lampião, mas foi aprimorado e elevado por ele. No auge do movimento, eram contados mais de cem membros divididos em vários grupos. Geralmente, os grupos tinham de sete a quinze componentes, e cada grupo possuía um líder, sendo Lampião o comandante e líder maior. Sua autoridade era aceita e acatada sem questionamento, não por seu totalitarismo, mas por sua capacidade intuitiva e por seu histórico de vitórias, através dos quais garantia o respeito de seus comandados. Os cangaceiros confiavam a vida às mãos de Lampião, e o sentimento de fraternidade e união era forte entre eles.

Como deixa explícito em seu livro “As Táticas de Guerra dos Cangaceiros”, a escritora Maria Christina Matta Machado relata que, se os cangaceiros eram temidos por onde passavam, também eram muito benquistos pela população sertaneja, especialmente a mais pobre. Não raramente Lampião e seu bando roubavam gado e alimentos dos mais ricos e os distribuíam às populações locais. Em alguns episódios, eles matavam o gado e convocavam a população a pegar carne à vontade. Esse senso de justiça rápida e instantânea era reflexo direto das necessidades imediatas de sobrevivência às quais o elemento sertanejo estava continuamente exposto. 

Quando recebiam ajuda, os cangaceiros protegiam a localidade e realizavam benfeitorias na região. As ações mais violentas aconteciam quando eles eram denunciados ou prejudicados por alguém, ou tinham sua dignidade afrontada. Sendo assim, todo o crime cometido pelos cangaceiros possuía uma razão de acontecer, um contexto por trás do ato momentâneo. A presença das mulheres nos bandos estimulava uma face mais benevolente dos homens. Aliás, a própria mulher no cangaço era extremamente combativa e guerreira, se habituando à vida do sertão e ao movimento do cangaço. 

Durante mais de duas décadas a atividade do cangaço esteve em plena ação. A ação dos cangaceiros foi uma reação à opressão das autoridades, à condição de miséria do sertanejo e a solução para as necessidades sempre imediatas. Analisar o elemento do cangaço como uma simples atividade criminosa e enxergar nos cangaceiros a figura de simples bandidos é estreitar a visão sobre todo um contexto sócio cultural. Nenhum sertanejo encarnou melhor o espírito guerreiro do que Virgulino Ferreira e seus homens, e após a morte destes e a dissolução dos grupos, nenhum outro homem com o mesmo espírito apareceu. A norma retornou ao sertão, e a miséria, o esquecimento, os desmandos, o abandono do governo e a resignação do povo são elementos tão atuais quanto foram na época de Virgulino. O segredo para a longa duração de um movimento de guerrilha como o do cangaço foi a familiaridade com o terreno, a identificação com a região e os elementos, a adaptabilidade com os recursos disponíveis, a simpatia com as populações locais e a união entre os membros do grupo.

 O cangaceiro era mais próximo do povo, afinal, era proveniente desse mesmo povo. Enquanto os coronéis e seus jagunços exerciam uma relação de opressão, o cangaceiro exercia um misto de síntese da luta e dos anseios do sertanejo e do descontentamento geral, servindo como figura icônica para as lutas e esperanças de todo um povo resignado. As autoridades, especialmente as federais, abandonavam o sertão, enquanto o cangaceiro fazia parte daquele lugar, se identificava com aquele espaço e com aquele povo. As autoridades nada compreendiam sobre a realidade social do sertão e as necessidades do sertanejo, ou por ignorância, ou por puro desinteresse em solucionar seus problemas. Esse, aliás, é um traço ainda muito atual. O cangaceiro, mesmo que não possuísse um projeto socialista abrangente, tentava, na medida de sua compreensão, solucionar ao menos parte dos problemas mais imediatos da população pobre. Esse populismo atraía fortemente a identificação entre povo e cangaço. 

Isso era reforçado pelo extremo misticismo dos cangaceiros, que realizavam diversos rituais, carregavam amuletos e bênçãos, mantinham sua devoção em seus santos e respeitavam as tradições religiosas e espirituais da localidade. A série de vitórias e a impressionante capacidade combativa destes homens e mulheres eram tão expressivos que uma imagem de misticismo, força sobre-humana e invencibilidade eram atribuídas aos cangaceiros, especialmente a Lampião. Havia um tipo de onipresença destes homens, que conseguiam tomar ciência dos fatos das redondezas e não falhavam em aplicar a vingança àqueles que de algum modo os prejudicassem. Os olhos e ouvidos de Virgulino e seus homens estavam por toda a parte. A incapacidade das autoridades diante da ação dos cangaceiros reforçava o mito de que os cangaceiros eram imbatíveis. Os membros do cangaço estavam ali por motivações pessoais e injustiças sofridas, enquanto que os soldados das polícias estavam naquela função pelo pagamento e pela esperança de conseguir riquezas em posse dos cangaceiros, além da fama por ter matado um dos imortais.

Estes homens simbolizam o espírito guerreiro, insurgente e rebelado que nos falta em nossos dias. Foram, talvez, a última esperança do sertanejo, do habitante de uma região esquecida e abandonada. O cangaço foi o mais bem sucedido movimento de guerrilha já realizado no país, e um modelo para os movimentos de guerrilha subsequentes. Foi uma expressão legítima de um povo com uma identidade tradicional, cultural, geográfica e social, a resposta a um modelo de opressão e um quadro de abandono. Realizaram o feito de demonstrar que aqueles que esmagam o povo e exercem o poder injusto são fracos, impotentes e incapazes, humilhando por diversas vezes as estruturas de repressão consideradas, por décadas, invencíveis e incontestáveis. O homem do cangaço possuía a força e o espírito combativo que deixariam qualquer filósofo sincero extremamente admirado, e a capacidade estratégica que surpreenderia um estrategista do porte de Sun Tzu, e uma habilidade política e social digna dos ensinamentos de Maquiavel. A morte de Virgulino Ferreira significou a morte do espírito de reação do homem sertanejo e do desejo de desafio e combate ao poder instaurado. 

 O capitão Bezerra, responsável pelo cerco que pôs fim ao movimento do cangaço e terminou com a morte de Lampião, Maria Bonita e outros grandes nomes do movimento de guerrilha, mais tardiamente testemunhou sobre o caráter de Lampião em entrevista ao jornal “A Tarde”, na Bahia, em três de Agosto de 1938:” Era um homem de palavra. O que ele dizia valia como documento. Se ele fosse vivo hoje, eu não permitiria que ninguém encostasse nem o dedo nele. Hoje eu não acho que ele era bandido. Tem muito bandido engravatado por aí, em liberdade”. 

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