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América Latina, o último bastião ocidental? Porque o islã não cresce aqui


Segundo um estudo feito pelo Pew Research Center (Centro de Pesquisas Pew - PRC) (1), intitulado; "O Futuro das Religiões do Mundo", divulgado em abril desse ano, prevendo a projeção para o futuro das religiões, indicou que o número de adeptos do islã irá ultrapassar, caso assim continue, o número de cristãos até o fim desse século (entre 2050 - 2100, tornando-se a religião com o maior número absoluto de fiéis do planeta. E, seguindo a contra corrente mundial, a única região do mundo em que isso não vai acontecer é a da América Latina, pois o aumento do número de seguidores do Corão não acompanha o ritmo registrado em outras partes do mundo. Oque, por conseguinte, aponta essa parte da América como a única região onde a taxa de crescimento da população estimada para 2050 supera com folga o aumento de muçulmanos.

O islã, como se pode deduzir no parágrafo acima, é de fato a religião que mais cresce no mundo. O levantamento prevê que, entre 2010 e 2050, enquanto a média de crescimento da população mundial será de 35%, a média de crescimento do islã será de 73%. Por outro lado, no mesmo período de tempo, a América Latina aumentará sua população em 27%, um pouco abaixo da média mundial, mas o islã aqui, crescerá 13%, o que está muito mais abaixo dessa mesma média.
O estudo também prevê que, em 2050, o número de muçulmanos no mundo será "quase igual" ao de cristãos, e que, "mantidas as tendências demográficas atuais, o número de muçulmanos deverá ultrapassar o de cristãos até o final do século". - G1
Para essa projeção na América Latina e Caribe, o estudo coletou dados de 19 países da região. Então estimou-se que 940 mil pessoas comporiam à mais a população de muçulmanos na região para 2050, um número de crescimento inferior à quantidade de seguidores do islã registrada em 2010 em países do ocidente europeu como Espanha ou Itália, onde os números são vertiginosamente crescentes se compararmos com as taxas de natalidade dos nativos. 

O que explica o islamismo não crescer entre os latino-americanos, não seguindo essa tendência mundial? Enumeramos alguns aspectos que podem nos ajudar a desvendar muito sobre esse assunto e sobre como nós latinos somos.

Poucos fiéis, poucas conversões e pouco apelo a imigrantes

A América Latina é considerada uma região única porque abriga uma fração mínima dos cerca de 1,6 bilhões de muçulmanos no mundo e não registra um intenso fluxo migratório de pessoas procedentes de países onde o islã é a principal religião.


Na totalidade da junção dos países da América Latina, incluindo região do Caribe, existem países e regiões que falam além do espanhol (e português no caso único do Brasil), o inglês, francês, holandês e outras línguas nativas.  Além dos grandes países da América do Sul, existem comunidades substanciais que se encontram em países de língua inglesa, como a Guiana e Trinidad e Tobago (onde o islã representa 5,8% da religiosidade (2)), onde existem comunidades compostas por muçulmanos de ascendência africana, mas o maior número de muçulmanos dessas regiões são descendentes de imigrantes provenientes da Índia e da Indonésia, que vieram como missionários públicos. Em países de língua francesa, como Guadalupe, Guiana francesa, Haiti e Martinica, a comunidade muçulmana é composta principalmente de imigrantes muçulmanos da África Ocidental. Martinica é também o lar de muitos imigrantes palestinos, estando em bem menor número.
Estimamos que em 2010 eram 840 mil vivendo em todos os países da região, incluindo o Caribe", disse Conrad Hackett à BBC, demógrafo e diretor associado do Centro de Pesquisas Pew. - G1
Segundo ele, não há nenhuma evidência de que o mesmo fenômeno observado nos EUA e no Canadá, onde a imigração impulsiona o crescimento do islã, esteja se repetindo em países latino-americanos.
Na América do Norte, a população muçulmana não é muito numerosa, mas vemos uma tendência migratória em curso com grandes quantidades de pessoas chegando de países onde a maioria segue o islã. Nem todos os imigrantes são muçulmanos, mas eles são maioria [...] - G1
Os EUA e o Canadá atraem imigrantes não apenas por oferecer melhores oportunidades econômicas, mas também porque têm programas para acolher refugiados e, no caso dos EUA, até uma "loteria de vistos". Em 2018 serão distribuídos aleatoriamente, 55 mil vistos de imigrantes a pessoas que nasceram em países com baixas taxas de imigração para os EUA. Os mesmos fatores são vistos da Europa, com facilidade para vistos de imigrantes muçulmanos em larga escala, muitas vezes, mais do que o país tem condições sócio-econômicas de suportar, e as tão conhecidas vantagens econômicas vigente, em detrimento da América latina, de economia terceiro-mundistas em relação aos países ricos do hemisfério norte.
O demógrafo admite que, por motivos econômicos, o fluxo migratório pode mudar e transformar a América Latina em destino de muçulmanos. Contudo, ele afirma que, até o momento, não há nenhuma evidência de que isso acontecerá no mesmo volume já registrado na América do Norte. - G1
Isso aconteceria, como podemos deduzir, em casos futuros de quebra econômica desses países ricos, superlotação ou melhoria de condições de vida da América Latina? Veremos mais a seguir, que muitos líderes islâmicos colocam em pauta uma preocupação em povoar nosso continente.
Comparação com a Europa e América do Norte

Gráfico apresenta o tamanho da população muçulmana e seu percentual em relação à população de cada país europeu 

Um outro artigo recente do Instituto Pew Research Center destaca cinco fatos importantes sobre a população muçulmana da Europa. Os dados revelam que a Europa está se tornando mais e mais muçulmana.

Embora os maiores sofredores da violência islâmica continuem a ser as populações do Iraque e da Síria, sitiadas pelo Estado islâmico, juntamente com a Nigéria que encara o ataque praticamente sem controle do Boko Haram, a Europa tem as suas próprias preocupações. A população muçulmana, em muitos países europeus, tem crescido de forma constante, o que levou alguns países, como a Alemanha, o Reino Unido e os Países Baixos, a pedirem restrições à imigração.

1 - as maiores populações muçulmanas da Europa estão na Alemanha e na França, seguidas pelo Reino Unido e Itália.

De acordo com as estatísticas mais recentes disponíveis, a Alemanha e a França têm populações muçulmanas de cerca de 5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 6% da população da Alemanha e 7,5% da França. Indo além das fronteiras da União Europeia, a população da Rússia de 14 milhões de muçulmanos, é a maior do continente.

2 - a população total da Europa está se tornando cada vez mais muçulmana.

A parcela de muçulmanos da população da Europa tem crescido em cerca de 1 ponto percentual por década nos últimos 25 anos, passando de 4% em 1990 para 6% em 2010. O número de muçulmanos na Europa cresceu de 29,6 milhões em 1990 para 44,1 milhões em 2010. A população muçulmana da Europa deverá ser superior a 58 milhões em 2030. Enquanto os muçulmanos representam hoje cerca de 6% da população total da Europa, em 2030, espera-se que os muçulmanos cheguem a 8% da população da Europa, ou o dobro do que era em 1990.

Percentualmente, o país mais muçulmano da União Europeia é Chipre, com mais de um quarto da população total (25,3%), seguido pela Bulgária com 13,7% da população. O país com a maior projeção de crescimento de sua população muçulmana é o Reino Unido, que deverá ter uma população muçulmana de 5,5 milhões em 2030.

3 - os muçulmanos são mais jovens do que os outros europeus.

Segundo as pesquisas, os dados de 2010 revelam que a idade média dos muçulmanos na Europa era de 32 anos de idade, enquanto a idade média dos europeus, em geral, era de 40 anos de idade, uma lacuna de oito anos. A idade média dos cristãos na Europa era dez anos mais elevada do que a dos muçulmanos, ou seja, 42 anos de idade. 

A diferença de idade também afeta o aumento da população. As taxas de fecundidade dos muçulmanos são geralmente mais elevadas do que as dos não-muçulmanos na Europa, o que, juntamente com a imigração, ajuda a explicar porque a população muçulmana da Europa deverá aumentar tanto em números absolutos e em percentual da população.

O estudo do Instituto de Pesquisas Pew analisou as tendências atuais nos 25 países europeus para os quais há dados disponíveis e descobriu que a mulher muçulmana de hoje tem uma média de 2,2 filhos, em comparação com uma média estimada de 1,5 filhos da mulher não-muçulmana, na Europa.

4 - países europeus variam muito em seus pontos de vista dos muçulmanos.


As maiorias na Alemanha, França e Reino Unido têm uma visão geralmente favorável aos muçulmanos, de acordo com uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Pew, realizado na primavera passada. Mais da metade da população na Itália, Grécia e Polônia expressaram opiniões negativas sobre os muçulmanos, enquanto que na Espanha a opinião era dividida.

Entre os países da União Européia, a população italiana é a mais crítica dos muçulmanos, com 63% expressando uma opinião desfavorável e apenas 28% expressando um parecer favorável.

As visões sobre os muçulmanos estão vinculadas tanto à idade quanto ao espectro político, com a juventude e os de ideologia de esquerda sendo geralmente mais favoráveis aos muçulmanos. Na Espanha, um pouco mais da metade entre os que tem 50 anos de idade e mais velhos, enxergam os muçulmanos desfavoravelmente, enquanto que apenas um terço das pessoas com menos de 30 anos de idade dizem o mesmo. Enquanto que 47% dos alemães na direita política vêem aos muçulmanos desfavoravelmente, apenas 20% dos que estão na esquerda o fazem.

5 - a União Europeia é o lar de cerca de 13 milhões de imigrantes muçulmanos.

Desde 2010, estima-se que 13 milhões de imigrantes muçulmanos (27% da população de estrangeiros) vivem nos 27 países da União Europeia. Quando a migração interna no seio da União Europeia é excluída, a percentagem de imigrantes muçulmanos entre a população nascida no estrangeiro sobe para 39%.

A população muçulmana imigrante na Alemanha vem principalmente da Turquia, enquanto que os cerca de 3 milhões de muçulmanos nascidos no estrangeiro na França são, em grande parte, das ex-colônias da França sobre a Argélia, Marrocos e Tunísia. (3) (4) 

Nos Estados Unidos, o islamismo é uma das religiões que mais crescem. Até o ano 2010, a população muçulmana do país deverá superar a população de judeus, fazendo com que o islamismo seja a segunda maior fé depois do cristianismo. 

Existem atualmente cerca de 6 milhões de americanos muçulmanos e há aproximadamente 2.000 mesquitas nos EUA. A maioria dos americanos muçulmanos, 77,6%, são imigrantes – 22,4% dos americanos muçulmanos nasceram nos EUA. Segundo a pesquisa do Centro Pew, o islã representa 0,6% da religiosidade no país, sendo a terceira maior religião de derivado não-cristão, perdendo apenas para o judaísmo (1,7%) e budismo (0.7%), superando o hinduísmo (0,4%). (5) (6)

Recentes imigrantes muçulmanos constituem a maioria da população muçulmana total. Nativos muçulmanos americanos são principalmente africanos e americanos que compõem um quarto da população muçulmana total. Muitos destes se converteram ao Islã durante os últimos setenta anos. A conversão ao Islã em prisão e grandes áreas urbanas também têm contribuído para o seu crescimento ao longo dos anos. Muçulmanos americanos vêm de origens diversas, e são, um dos diversos grupos religiosos nos Estados Unidos, segundo uma pesquisa Gallup de 2009. (7)

O Canadá, com 35 milhões de habitantes (20,7% imigrantes, a maioria asiáticos) tem um generoso sistema de auxílio, se consolida como referência na acolhida de estrangeiros, uma política que recebeu forte impulso desde a década de 1960 e que se radicalizou com a gestão de Justin Trudeau como atual presidente. Seu plano de acolhida em massa se traduziu na chegada do médico Garabedian e de outros 39.670 refugiados sírios entre a metade de 2014 e o início de 2017.

Décima economia mundial, o Canadá prevê aceitar este ano 25.000 refugiados de qualquer nacionalidade como parte dos 300.000 estrangeiros a quem planeja conceder residência permanente, o que permite ter acesso à saúde pública. um número um acima dos anos anteriores. A maioria são imigrantes selecionados por motivos econômicos mediante um sistema de pontuação.

Segundo a OCDE, os imigrantes representam, desde 2000, 31% do aumento de trabalhadores altamente qualificados no Canadá, acima de 21% dos EUA e 14% da Europa. Em Toronto, uma das cidades mais multiculturais do mundo, a metade da população nasceu no exterior e são falados cerca de 140 idiomas ou dialetos!

A política de fronteiras abertas está vigente no país desde a década de 1960, e se intensificou com as convulsões recentes no Oriente Médio e a administração de Trudeau, no cargo de 2015.

Apesar das pesquisas mostrarem uma alta aprovação da chegada de estrangeiros e estes declaram em sua maioria sentir-se canadenses, crescem os que pedem que o imigrante se assimile. Os crimes motivados por preconceito religioso contra muçulmanos duplicaram entre 2012 e 2014. Apesar de a porcentagem ter diminuído, 65% dos refugiados que continuam recebendo auxílio público depois de um ano de sua chegada. E o número de imigrantes que solicita cidadania caiu à metade (56.000) entre 2015 e 2016 devido, segundo os especialistas, a um aumento desses índices. (8)

O nível do número de imigração tem estado em debate no Canadá, numa altura em que o país tem uma alta taxa de desemprego (6,9 %). Mas o governo liberal, liderado por Trudeau, está a aumentar o número base de imigrantes para os 300 mil com o intuito, segundo os líderes de governo, de garantir mão-de-obra para o trabalho, liberando a economia em face do crescente envelhecimento da população local. E apesar dos números anteriores serem inferiores (entre 2011 a 2015 registaram-se 260 mil imigrantes por ano), o governo promete chegar a uma meta de aumentá-lo para 450 mil por ano.

O contexto no Brasil

No Brasil, temos alguns contextos interessantes que revelam não só porque o islã não é tão crescente por aqui, apesar de ter tido progressos vistosos, mas também revela muito de nossas próprias tendências atuais.

Crescimento

Isso não é estranho. Um fator determinante para o crescimento do Islã no mundo se deve ao número de conversões. Uma das formas tradicionais de levar a religião a povos distantes de sua região de origem desde sua fundação como religião organizada, atribuída ao profeta Maomé (Mohammed), como aconteceu em grande parte da África, Ásia, leste da Europa e atualmente em todo o resto do mundo. Mas, segundo o levantamento, não há evidência robusta de que muitas pessoas estejam trocando suas religiões pelo islã na América Latina e no Caribe. O Brasil é exemplo, onde estamos seguindo o mesmo caminho que a América Latina parece seguir.

Ao todo, o IBGE contou no último censo de 2010 no país, 35.167 pessoas que seguem o islã, mas segundo aos entidades representantes no país, juntando todos os que estão envolvidos com a religião no país, daria cerca de 1,5 milhão (dado não comprovado) de pessoas que seguem a fé islâmica. Um terço dos muçulmanos no censo estaria na região metropolitana de São Paulo - e muitos deles são convertidos (cerca de 29,1% entre 2001-2011). O que daria em torno de 10.000 pessoas a mais (9), oque é interessante, visto que nesse mesmo período, nossa população cresceu 12,3% (mas lembremos que somos um país de 190,7 milhões de pessoas). Entretanto, centro islâmicos hoje estão presente em vários estados da federação, em todas as regiões do país. Especialistas tratam como fenômeno religioso o fato de cada vez mais brasileiros ascenderem ao topo da hierarquia de entidades muçulmanas. 

Os estados com maior concentração seriam São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em muitos deles, existem grandes comunidades de imigrantes árabes. Só na capital paulista há cerca de 10 mesquitas, incluindo A Mesquita Brasil, a primeira mesquita construída na América Latina.

Segundo a União Nacional Islâmica (Uni), em algumas cidades, como Salvador e Recife, centros islâmicos que historicamente eram presididos por muçulmanos de origem árabe hoje têm brasileiros ocupando o posto.15 líderes religiosos falam fluentemente o português, pois idioma era pouco adotado porque os sheiks desembarcavam vindos de um país islâmico já com a vontade de retornar à sua terra natal. 

Existem no País sete sheiks brasileiros. Dez anos atrás, havia três.  e em aproximadamente dez anos, o número de mesquitas, de acordo com a Uni, saltou de 70 para 115. Nesse mesmo intervalo, triplicou a quantidade de sheiks que falam português. Não para por aí. Os brasileiros não só ascenderam ao topo da hierarquia de instituições já estabelecidas como têm erguido novos espaços religiosos. “No Nordeste, entidades islâmicas estão sendo criadas por brasileiros cuja adesão à religião não vem de berço”, afirma o antropólogo Paulo Hilu, que dirige o Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF). (Istoé)



O Brasil, como a América, caminha para o pentecostalismo

Mas apesar disso, as estatísticas mostram que trocas de religião na América Latina ocorrem em larga escala (quase majoritariamente), dentro do cristianismo, onde as pessoas cada vez mais saem do catolicismo para adesão do protestantismo e neo pentecostalismo ("evangélicos", como usualmente chamamos).

A América, ainda sendo, em relação aos outros continentes, um "Novo Mundo" de pouco mais de 500 anos de civilização ocidental, ainda carrega dentro da diversidade dos povos que aqui habitam, nos diferentes cenários de sol e chuva, calor e gelo, pastos e florestas, planícies e montanhas, cidades e vilarejos, algo em comum inerente a todos: ainda é viva a herança europeia colonizadora e idealista no melhor do espírito dos povos daqui. A fé, a cultura, o modo de fazer e pensar, tudo é muito intenso (nada é "morno"). Ainda carregamos na memória, como se fosse recente, o cristão desbravador e catequizador, o intrépido nativo e o negro forte, apesar de uma elite disfarçada de intelectual à muito (desde o início do século XX), querer fazer disso, apenas esteriótipos debochados. Mas sabemos que ainda somos todos aqueles primeiros homens e mulheres e nosso espírito duro não mudou em nada.

O censo demográfico realizado em 2010, pelo IBGE, apontou a seguinte composição religiosa no Brasil: 64,6% dos brasileiros (cerca de 123 milhões) declaram-se católicos; 22,2% (cerca de 42,3 milhões) declaram-se protestantes (evangélicos tradicionais, pentecostais e neo pentecostais); 8,0% (cerca de 15,3 milhões) declaram-se sem-religião: ateus, agnósticos, ou deístas; 2,0% (cerca de 3,8 milhões) declaram-se espíritas; 0,7% (1,4 milhão) declaram-se da seita testemunhas de Jeová; 0,3% (588 mil) declaram-se seguidores do animismo afro-brasileiro como o Candomblé, o Tambor-de-mina, além da Umbanda; 1,6% (3,1 milhões) declaram-se seguidores de outras religiões, tais como: os budistas (243 mil), judaísmo (107 mil), messianismo (103 mil), esoterismo (74 mil), os espiritualistas (62 mil),  islâmicos (35 mil) e os hoasqueiros (35 mil). Há ainda registros de pessoas que declaram-se baha'ís e wiccanos, porém nunca foi revelado um número exato dos seguidores de tais religiões no país. (10)
Ao todo, os cristãos no Brasil (católicos, protestantes, pentecostais e neo pentecostais) somam 86,4% da população. Ou seja, a maioria esmagadora, fazendo o Brasil, assim como a quase totalidade da comunidade latino-americana, ser formado essencialmente por uma ideologia cristã europeizada. Esses números geralmente, são a média de cristãos por país nas Américas. Mas o Brasil ainda é a maior nação católica do mundo. 

Porém, na última década, a Igreja teve uma redução da ordem de 1,7 milhão de fieis, um encolhimento de 12,2% [...] A tendência de redução dos católicos e de expansão das correntes evangélicas era algo esperado. Mas pela primeira vez o Censo detecta uma queda em números absolutos. Antes do levantamento de 2010, o quadro era apenas de crescimento de católicos em ritmo cada vez menor. Mantida essa tendência, em no máximo 30 anos católicos e evangélicos estarão empatados em tamanho na população. 

Conrad Hackett diz sobre as pesquisas do Pew que o pentecostalismo está crescendo mais rápido que o conjunto da população [na América Latina]", afirma Hackett (G1)

Esse gráfico do IBGE mostra o crescimento gradual de outras religiões cristãs organizadas dentro da população brasileira desde a última metade do século XIX até a entrada de nossa década, e cada vez crescendo mais. Isso nos mostra que, na contra-corrente do mundo, que cada vez mais se islamiza, o Brasil e outros países da América latina tende substancialmente a permanecer cristão. 

Se em 1970 havia 91,8% de brasileiros católicos, em 2010 essa fatia passou para 64,6%. Quem mais cresce são os evangélicos, que, nesses quarenta anos saltaram de 5,2% da população para 22,2%. O aumento desse segmento foi puxado pelos pentecostais, que se disseminaram pelo país na esteira das migrações internas. A população que se deslocou era, sobretudo, de pobres que se instalaram nas periferias das regiões metropolitanas. Nesses locais, os evangélicos construíram igrejas no vácuo da estrutura católica.

Houve uma mudança na distribuição espacial das pessoas. Nas periferias, na ausência do estado e da Igreja Católica, os pentecostais atuaram como guias espirituais e como figuras centrais do assistencialismo. “As evangélicas pegaram fieis onde a Igreja Católica não tinha se preparado para arregimentar a nova população, e adaptaram a mensagem para diversos públicos”, diz Eustáquio Diniz.

A preservação da família é um dos motivos que, serve para explicar o crescimento da Assembleia de Deus no país. De acordo com o censo de 2010, ela é o maior segmento evangélico, com 12 milhões de fiéis, e o segundo maior do Brasil, atrás da Igreja Católica. Em comparação com a igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, que perdeu 228 mil fiéis nos últimos 10 anos e hoje tem 1,8 milhão de arrebanhados, a Assembleia de Deus prega valores morais mais rígidos.

Nos anos 90, época de expansão da favelização, a mãe não queria a desestruturação da sua família, o que a Assembleia não deixa (lembre-se da proibição de bebidas alcoólicas e de roupas femininas mais insinuantes). A favelização e a ocupação das periferias são resultado da migração dos anos 80 e 90, que deixou de ser motivada pela possibilidade de ascensão social e passou a acontecer pela expulsão das pessoas do campo, em sua maioria pobres. As correntes pentecostais acompanharam esses deslocamentos e, ainda na década de 90, entraram maciçamente na política.

Nos últimos 10 anos, manteve-se estável a proporção de cristãos. Isso indica tanto uma migração de católicos para as correntes evangélicas e para outras religiões. O segmento dos sem religião também cresceu percentualmente, e chegou a 8% da população em 2010. O contingente de católicos foi reduzido em todas as regiões e se manteve mais elevado no Sul e no Nordeste. O Norte foi onde houve a maior redução relativa dos católicos.

Quanto à faixa etária, a proporção de católicos foi maior entre as pessoas com idade superior a 40 anos. Segundo o estudo, isso é decorrente de gerações formadas durante os anos de hegemonia católica. Já os evangélicos pentecostais têm sua maior proporção entre as crianças e os adolescentes, sinalizando uma renovação da religião. O grupo com idade mediana mais velha é o dos espíritas (37 anos) que cresceu na última década e chegou a 3,8 milhões de pessoas, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul. Os espíritas são os que apresentaram melhores indicadores, como a maior proporção de pessoas com nível superior completo (31,5%)." (11)

Número de filhos e natalidade

Outro fator determinante para o aumento do islã, e que também faz parte da sua cultura, é o grande número de filhos por matrimônio. 
Na África, onde islã é muito forte, cada mulher tem 4, 5 ou 6 filhos, o que acelera o ritmo de crescimento da população tanto no caso dos muçulmanos quanto dos cristãos. Mas, na América Latina, ainda que a região já tivesse mostrado taxas elevadas no passado, em muitos países, as mulheres estão tendo 1, 2, 3 filhos", aponta Hackett. - G1
Sobre essas taxas, levantadas pelo próprio estudo, tem-se que levar em conta também que os números, segundo o próprio Hackett, são "conservadores", e que talvez a taxa de fecundidade entre as muçulmanas latino-americanas seja mais alta até. Porém, não é significativo de crescimento acentuado, dado que as próprias comunidades tem uma proporção pequena se comparado ao número populacional.
A Argentina, por exemplo, é o país da América Latina com maior número de seguidores do islã, mas não temos dados específicos sobre a taxa de fecundidade dos muçulmanos. Muitas vezes, quando um grupo de religiosos é muito pequeno, o censo não tem dados e fica difícil saber quais são suas características" - G1
Os números do IBGE para o Brasil, aliás, não seguem necessariamente as tendências para a região apontadas pelo Pew. Enquanto o centro americano prevê um crescimento de 13% na população muçulmana na América Latina entre 2010 e 2050, o IBGE diz que o número de muçulmanos no Brasil cresceu 29,1% de 2000 a 2010. - G1

Mas, para Hackett, a América Latina com um todo tem uma população muçulmana tão pequena que, mesmo se houve uma grande onda de imigração de seguidores do islã na região, levaria um tempo para que ela passasse a crescer num ritmo maior que o do aumento da população total, como acontece em outros países, especialmente na Europa e na Ásia. - G1

Aspectos sociais: Wahabismo e radicalismo - qual a influência dos lacaios globalistas na comunidade islâmica latino-americana?

Em 2010, mais de 20 milhões de pessoas originárias do Oriente Médio viviam em países latino-americanos. Três países abasteceram as comunidades árabes na América que não fala inglês: Líbano, Síria e Palestina. Os três resumem os conflitos mais dramáticos que não acontecem só entre árabes e judeus mas também entre árabes contra árabes. Ao mesmo tempo, são os três territórios cruzados pelo único caminho possível para se obter a paz interna no mundo islâmico.

Desde o atentado as Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001, supostamente calculado para acontecer, que marcou o inicio da Nova Era dos globalistas, o governo federal estadunidense e suas relações exteriores trataram de tornar o islã algo diabólico e o principal "causador de problemas" sociais e geopolíticos através do globo terrestre, ocultando sua participação direta e indireta nas convulsões políticas e desastres governamentais infligidos à região do Oriente Médio e África desde o contexto da Guerra Fria, onde criou-se a maioria das milícias armadas de agenda global (ex: Al-Kaida) e regional (ex: Talibã) que até hoje (como braço armados sionista e globalista), causam terríveis danos a população civil, fazendo um contingente de imigracionismo cada vez maior.  

A população de origem árabe ou de fé muçulmana na América Latina não ofereceu nenhuma evidência que permita saber como funcionam os jihadistas na região, que contam em suas fileiras com mais de 2.000 estrangeiros, em sua maioria vindos do Reino Unido, França, Alemanha e Espanha. Muitas vezes tendo nesses países obtido cidadania ou sendo filho de família árabe.

Essa comunidade não deixou de crescer nos últimos anos. Por exemplo, na Argentina, cerca de 1,9% da população é de religião muçulmana e na Venezuela quase igual. Nesse contexto, há perguntas inquietantes a responder: quantos mexicanos, brasileiros, centro-americanos estão em processo de cooptação pelos jihadistas? Por que a América Latina não tem mecanismos de defesa preditiva que lhe permita saber quantos hispânicos podem integrar esse jihadismo que está alterando todas as nossas certezas?

O atentado com carro-bomba contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994 em Buenos Aires —sobre o qual a justiça argentina culpa o regime iraniano— foi o primeiro alerta do terrorismo islâmico no continente. Um território ideal, devido a sua profunda desigualdade social e à violência criminosa do narcotráfico, para começar uma campanha de recrutamento de jihadistas.

Por isso, é inquietante pensar nas consequências que o aumento de uma comunidade islâmica radical também poderia ter na região. Porque esse continente, decididamente, não pretende, como a Europa, se islamizar. (12)

Planos de lideranças muçulmanas para o futuro na América Latina

Em 2014, um encontro pouco divulgado no Brasil, com a participação de líderes muçulmanos na Turquia, apontou a América Latina como prioridade para expansão do islamismo no continente. Este foi o primeiro encontro de líderes muçulmanos da América Latina.



A reunião teve a participação de mais de 70 líderes muçulmanos de 40 países, sob a direção de Mehmet Görmez, chefe do Diyantet. Entre os participantes havia emissários de Brasil, Venezuela, Argentina, Chile, México, Suriname, Uruguai, Paraguai, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Bolívia, República Dominicana, Guiana, Peru, Colômbia, Cuba, Equador, Jamaica e Haiti. Tratou do expansionismo islâmico para o continente. 

Realizada semana passada este foi o primeiro encontro de líderes muçulmanos da América Latina.
Nós estamos aqui reunidos para discutir questões que dizem respeito aos muçulmanos em países da América Latina, seus cultos religiosos e as oportunidades de cooperação”, disse o Dr. Görmez. 
O encontro de líderes islâmicos latino-americanos abordou formas de cooperação mútua e como o governo turco de Recep Tayyip Erdogan em ajudar na América Latina em suas atividades.

Um dos principais aspectos levantados por Görmez é que ainda não há "islamofobia" na América Latina e por isso a resistência ao Islã é menor.


Durante a reunião, outro tema que mereceu atenção foi a falta de imãs fluentes em espanhol e português. A maior concentração de muçulmanos na América do Sul está no Caribe, com cerca de 4,5 milhões de seguidores. (13)

NOTAS:

(1) - Pew Research Center é um think tank localizado em Washington DC que fornece informações sobre questões, atitudes e tendências que estão moldando os EUA e o mundo. O PRC e seus projetos recebem verba do Pew Charitable Trusts. (link)

(2) - Wikipédia, a enciclopédia livre: Trindade e Tobago> Cultura> Religião - (link). - Consultado em 08 de dezembro de 2017.

(3) - O Pew Research Center é uma organização que não defende causas, enquanto que o Pew Charitable Trusts apóia tanto projetos ligados a causas quanto neutros.

Dionei Cleber Vieira – Blog: "Novos Dados De Uma Pesquisa Mostram Que A Europa Inexoravelmente Será Islâmica" - 17 de Fevereiro de 2017 (link). Consultado em 06 de dezembro de 2017.

(4) - Fonte de imagem ao lado: Istoé: "A Europa contra os imigrantes". 17 de fevereiro de 2017
(link). Consultado em 06 de dezembro de 2017 

(5) - BBC Brasil apud Departamento de Estado dos EUA: "O islamismo no Mundo".  (link). Consultado em 6 de dezembro de 2017.

(6) - Wikipédia, a enciclopédia livre: "Estados Unidos da América> Demografia > Religião". (link). Consultado em 06 de dezembro de 2017.

(7) - Wikipédia, a enciclopédia livre: "Islamismo nos Estados Unidos".  (link). Consultado em 06 de dezembro de 2017.

(8) - El País Brasil Internacional: "Contracorrente, Canadá se reafirma como o paraíso dos imigrantes"- 6 de fevereiro de 2017 (link). Consultado em 6 de dezembro de 2017.

(9) - OLIVEIRA, Vitória Peres de (2006). "Islam in Brazil or the Islam of Brazil?". Religião & Sociedade. 2 (SE). ISSN 0100-8587

(10) - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ed. (2010). "População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de religião - Brasil" (PDF) (link). Consultado em 06 de dezembro de 2017.

(11) - AZEVEDO, Reinaldo: "O IBGE e a religião — Cristãos são 86,8% do Brasil; católicos caem para 64,6%; evangélicos já são 22,2%. - 18 de fevereiro de 2017.(link).Consultado em 06 de dezembro de 2017.

(12) - El País Internacional: "El islam en América" - 14 de setembro de 2014. (link). Consultado em 08 de dezembro de 2017.

(13) - Inforgospel: "Expandir islamismo no Brasil e na América Latina é meta de líderes muçulmanos" - 23 de novembro de 2014. (link). Consultado em 08 de dezembro de 2017. 

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Comentários

  1. Graças a Deus por isso, mas informe-se melhor: O Brasil foi um dos países que há muitos anos atrás mais recebeu imigrantes. E atualmente vem recebendo não só imigrantes, mas refugiados da Venezuela em decorrência do caos por lá, além de haitianos e como sempre africanos.

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    1. Nós estamos muito bem informados desses dados. Porém, não são expostos aqui porque não é esse o objeto de estudo do artigo. Entretanto, o recebimento de imigração no passado de pessoas vindas da Europa e leste asiático, ou o recebimento de imigração venezuelana de hoje de modo algum afeta a questão das diferenças civilizacionais aqui apresentadas, pois se tratam de povos aparentados.

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