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Brunhilde Pomsel: "Não me considero culpada"


"Não quebro o silêncio para limpar minha consciência", diz Brunhilde Pomsel, única testemunha viva entre os que trabalhavam no Ministério da Propaganda pública alemã dos anos de 1933-1945. (bbc)

Ela trabalhou na pasta por três anos, sob o comando de Joseph Goebbels, responsável pela propaganda e um dos "braço direito" do führer.



O testemunho da secretária de J. Goebbels

A ex-secretária é figura central do documentário Ein deutsches Leben ("Uma vida alemã", em tradução livre), que estreou em junho de 2016 no Festival de Cinema de Munique e exibido também no Film festival de Jerusalém e no Festival de Cinema Judeu de San Francisco.


"Conhecemos a senhora Pomsel por coincidência, enquanto pesquisávamos outra história", contaram Christian Krönes e Florian Weigensamer, dois dos quatro diretores do filme, ao canal alemão Deutsche Welle e presunçosamente continua dizendo: "Não era uma nazista ávida. Mas também não se importou (com o que o regime nazista fazia) e olhou para o outro lado. Nisso recai sua culpa", disse Weigensamer ao jornal americano The New York Times. - bbc

Quanto jornalismo imparcial temos nesse declaração? Afirmando oque uma senhora de 105 anos nunca disse ou pensa. Realmente, que... "motivo de orgulho" - NR 

Mas o documentário não se concentra na responsabilidade ou não de Pomsel.

Segundo os diretores, "em um momento em que o populismo de direita está no auge na Europa", eles querem que o filme seja uma lembrança da "capacidade da complacência e da negação do ser humano". - bbc
- apoiar o bem estar e a sobrevivência de seu próprio povo, assim como o direito de existência sem interferência externa é "populismo" e "negação", segundo os autores. -NR

Uma capacidade que também fica evidente em uma entrevista dada por Pomsel ao jornal britânico The Guardian.

"Ver o filme é importante para mim, porque posso ver no espelho tudo o que fiz de ruim", disse a ex-secretária. "Ainda que isso não tenha sido mais que trabalhar no escritório de Goebbels." - B. Pomsel (bbc)

B. Pomsel na época de secretária de Goebbels
Brunhilde Pomsel sabe o que esperam dela – sabe-o há muito – mas não cede. Querem que se arrependa? Que finja sentir remorsos? Que diga que tudo aquilo era desagradável e penoso? Ela não o fará. Não está disposta a fazer concessões. Nem mesmo aos 103 anos (hoje tem 105), quando diz esperar que os seus dias acabem depressa. publico.pt

Brunhilde diz sem preocupações que aplaudiu Hitler em Janeiro de 1933, quando chegou ao poder, que a Alemanha o via como um “homem novo” capaz de a resgatar e que a Berlim de 1936 era uma cidade vibrante, cosmopolita, à espera dos Jogos Olímpicos. - publico.pt

Para ela, os meados da década de 1930 foram “tempos maravilhosos”, com tropas em parada e atividades recreativas do partido por toda a parte. “Tudo o que é bonito também tem manchas, assim como o que é mais horrível também tem algo de luminoso. Nada é a preto e branco. Há sempre cinzento em tudo.” publico.pt

O trabalho

B. Pomsel em 1943
Criada de acordo com os preceitos do dever prussiano, ela aprendeu a ser secretária com um advogado e agente de seguros judeu, Hugo Goldberg e depois de trabalhar para um membro do partido NS que estava a escrever as suas memórias, isto quando era ainda funcionária de Goldberg, conseguiu ser secretária no departamento de notícias da rádio do Reich em 1933 e só nove anos mais tarde foi transferida para o escritório de Goebbels, em 1942, onde ficou até descer ao bunker de Hitler, até ao fim da guerra.

Para isso, ainda que diga que era "apolítica", teve de se filiar ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (o "partido nazista"). "Por que não? Todo mundo fazia isso", afirmou no documentário.

“Não trabalhei com Goebbels, trabalhei para ele”, reforça. Tudo o que fazia no seu escritório era escrever à máquina, diz, embora admita mais à frente que, a dada altura, tinha por tarefa “maquilhar” os números das baixas nas tropas do Eixo e exagerar os que diziam respeito às mulheres alemãs violadas pelo Exército russo. “Tornei-me algo frívola e superficial”, acrescenta, reconhecendo que gostava do ambiente sofisticado do ministério e que sempre diz que o ministro e a sua mulher, Magda, de quem chegou a receber um fato de presente, eram muito gentis. - Publico.pt

Quando trabalhava para Goebbels, observou de perto o círculo de poder que rodeava Hitler. Ela descreve o ministro da Propaganda como "um cavalheiro, elegante e nobre", mas também um "ator" que, quando alguém tirava "sua máscara de homem culto e educado, ficava louco".

"Ficávamos sabendo quando chegava ao escritório, mas não voltávamos a vê-lo até a hora em que ia embora", relatou. (bbc)

Ela diz que não sabia a que se dedicava exatamente o braço direito do Führer. Mas admite que tinha conhecimento da existência dos campos de concentração, apesar de alegar desconhecer na época sua função.

Segundo ela, acreditava-se então que "não se queria que as pessoas fossem diretamente para a prisão, então, iam para os campos para serem reeducados".

"Ninguém poderia imaginar algo assim", disse, sobre o suposto extermínio de judeus da Alemanha. (bbc)

Pomsel assegura que as pessoas que trabalhavam para o governo tinham certeza que os judeus "desaparecidos" haviam sido enviados para as aldeias dos Sudetos, nome da cadeia de montanhas na fronteira entre a República Tcheca, a Polônia e a Alemanha.


Brunhild Pomsel em cena do Documentário "A German Life", exibido desde  junho de 2016

A versão oficial dava conta de que o objetivo seria repovoar aqueles territórios montanhosos da Europa oriental, naquele momento ocupado por tropas alemãs. "Tudo era secreto, e, por isso, acreditamos. Era totalmente crível", disse ela.

Pomsel insiste que nem sequer sabia do ocorrido durante a "Noite dos Cristais", que, seguindo a versão oficial da história da mídia aliada diz ter sido a série de linchamentos e ataques contra estabelecimentos judeus ocorridos na noite de 9 para 10 de novembro de 1938.

Ignorância

Segundo ela, essa ignorância do estado real das coisas era generalizada na Alemanha nas décadas de 1930 a 1940. "Todo o país parecia estar sob a influência de um feitiço", afirmou.

Por isso, para a ex-secretária, as pessoas que dizem ter se rebelado contra o regime "podem até acreditar sinceramente nisso", mas ela acha que "a maioria não o teria feito". Pomsel reconheceu no documentário que seu passado pesa sobre ela de certa forma. 


"Quando uma pessoa viveu uma época (...) e, no final, só pensou em si mesma, ela tem a consciência um pouco pesada", disse.

Mas esclareceu não se sentir culpada nem responsável pelas milhões de mortes causadas pelo regime.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, Pomsel passou cinco anos em uma prisão soviética. 


"Fui tratada muito mal, e não tinha feito nada", afirmou.
"Não me considero culpada, a não ser que se culpasse todos os alemães por tornar possível que aquele governo chegasse ao poder", declarou em sua mensagem final.
"Não há justiça, não há Deus. Mas está claro que o diabo existe", concluiu.


- São sábias as últimas declarações da senhora Brunhilde. Os "teólogos" da culpa, se enfurecem cegamente pelo simples fato de uma mulher daquela época não "se martirizar o suficiente" segundo sua lógica. Oque por si só, que sentindo tem? Além do mais, é difícil sentir culpa por verdades inconsistentes das quais as testemunhas reais, confusas, com medo e ameaçadas, por vezes a alimentam, por vezes se confundem, por vez são levadas ao "martírio voluntário" por não sentirem a tal "culpa". 

Sim é uma loucura culpar um povo inteiro por qualquer coisa, ainda mais, algo infundado como o supostos holocausto judaico que nem mesmo, por força de lei não pode ser questionado, seus estudos de forma independente são dificultados e os acesso as fontes de informação reais são negligenciadas. Parabéns a Senhora Brunhilde Pomsel. Entendemos sua mensagem. - NR

Referências da pesquisa do artigo:

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