sábado, 20 de fevereiro de 2016

Capitalismo não significa direitos de propriedade

Por: Hilaire Belloc


É de vital importância notar que a palavra 'Capitalismo' assim usada como o nome do grande mal que, em sua maturidade, ameaça a própria existência de nossa sociedade não significa os direitos de propriedade. Significa ao invés um abuso da propriedade; propriedade desenvolvida em uma forma monopolista, sob a qual ela não pode funcionar normalmente, e que apenas ameaça o desastre.


O capitalismo não mais significa a afirmação de um indivíduo, ou o direito de uma família de possuir terra, maquinaria, casa, roupas, reserva de comida e o resto, do que a degeneração gordurosa do coração significa a função normal do coração como o circulador de sangue em um corpo humano saudável. O capitalismo é um mal não porque defende o direito legal à propriedade, mas porque é de sua natureza o uso desse direito legal para a defesa de uns poucos privilegiados contra um número muito maior que, apesar de cidadãos livres e iguais não possuem base econômica própria. 

Portanto, o mal que nós costumamos chamar de 'Capitalismo' deveria mais precisamente ser chamado de 'Proletarianismo'; pois a característica do péssimo estado da sociedade que nós chamamos hoje 'capitalista', não é o fato de que os poucos são proprietários, mas o fato de que os muitos, ainda que politicamente iguais aos seus mestres e livres para exercer todas as funções de cidadania, não podem usufruir de uma verdadeira liberdade econômica.

Hilaire Belloc. ''The Crisis of Civilization''. Tan Books and Publishers, 1992


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Sobre o autor

Joseph Hilaire Pierre René Belloc (França, 27 de julho de 1870 — Inglaterra, 16 de julho de 1953) foi um escritor britânico.

É reconhecido por, juntamente com os outros católicos (G. K. Chesterton, Cecil Chesterton, Arthur Penty), haver previsto o sistema sócio-econômico do distributivismo.

Nasceu nos arredores de Paris, em La Celle-Saint-Cloud. filho de um advogado francês casado com uma inglesa (Bessie Rayner Parkes), pertencente à alta burguesia, proveniente do protestantismo e convertida ao catolicismo e que foi muito ativo nos primórdios do movimento feminino pró-sufrágio.

A educação de Belloc foi quase inteiramente britânica, após a morte do pai, começando na Oratory School em Birmingham, uma escola católica e continuando no Balliol College, em Oxford, pela qual se licenciou em História, em 1894, com “the highest honors”.

Casou com uma americana, Elodie Hogan, em 1896.

Em 1902 tornou-se súbdito britânico, por naturalização, e durante alguns anos (1906-1910) foi membro do Parlamento Britânico, sob as cores do Partido Liberal.

Em Oxford revelou-se um excelente orador e parece não haver grandes dúvidas de que poderia, se quisesse, ter tido uma carreira distinta na política. Mas acabou por escolher a escrita como o seu campo de ação.

Quando morreu, deixava para trás cerca de cem livros publicados e um vasto número de ensaios avulsos, artigos, recensões e discursos.

Fonte: Wikipedia

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