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A Revolução de Mussolini


Por: Jaime Nogueira Pinto

"Tutto cio che è entrato nella Storia non si cancella" (tudo aquilo que entrou na História não pode apagar-se...).

Esta afirmação de Benito Mussolini, em princípios de Março de 1945, quando, na já agonizante República Social Italiana, presidia, lúcido, sem ilusões, ao aproximar inexorável do fim, pode servir de mote ao espírito com que os seus compatriotas celebraram o centésimo aniversário do seu nascimento. Um espírito sem complexos, sem pesos, sem «lendas negras», onde, curiosamente, o mais significativo talvez não sejam os dois milhões e meio de votos recolhidos pelos neo-fascistas do MSI nas eleições legislativas de 29 de Junho, com uma subida muito substancial em relação aos números anteriores.

Mas, desde a grande exposição de Milão sobre as artes na era fascista, batizada Annitrenta, até um surto editorial de dezenas, senão ,centenas de títulos, desde posters a T-Shirts com o Duce, de filmes a séries de Televisão, de carimbos postais comemorativos, até ao multiplicar de excursões para Pedrappio, a Itália parece, bruscamente, ter esquecido o anátema imposto pela "Santa-aliança antifascista" - de comunistas, laicos e democratas cristãos - e, sem falsas ilusões sobre o passado do Passado, mas também sem sujeição às suas caricaturas, olhar outra vez esses "anos negros" cujo fascínio leva muito mais da nostalgia de Amarcord, que do ritual panfletário de Novecento, sem falar desse exercício de autoflagelação sado-masoquista que é o SaJó de Pasolini. "Benito Mussolini fez 25 anos de História... Não se pode, simplesmente, apagá-lo assim" - respondeu aos seus críticos Don Michelangelo, o pároco da Igreja de Santo António, de Pedrappio, que em 29 de Julho celebrou a Missa de Aniversário do Duce.

"Que personagem!"

Quem foi Benito Mussolini, interroga-se André Brissaud no limiar da sua biografia monumental do fundador do fascismo ... "Para uns, um reacionário anticomunista, um ditador chaplinesco, um 'César de Carnaval', sem importância histórica, um 'parêntesis insignificante na história da Itália...".

"Para outros, um reformador ousado, um homem de Estado fora do comum, uma reincarnação romana, um guia humano e heroico, talvez um mártir ou um santo...".

E depois de abrir esta dicotomia, o autor avança com uma resposta de síntese:

"A realidade é que este filho da terra de Romana, socialista revolucionário de extrema esquerda, inventou o fascismo. Verdade histórica que é preciso aceitar. E foi, durante vinte e três anos, o Duce (O Chefe) da Itália, que transformou numa potência europeia. Foi um dos personagens mais importantes da cena internacional de 1920 a 1945

Os "intelectuais de aluguel" de qualquer paralelo que saltitam na praça, de apoderado em apoderado, vendendo ideias e estratégias à esquerda, direita e centro, ao sabor de quem vai pagando e dos vai-vens do quotidiano, terão sempre dificuldade em perceber estes fenômenos vitais, alheios à racionalização economicista, escapando a Marx, a Adam Smith, a Freud e a qualquer vademecum; até porque, à partida, a sua existência individual e colectiva é uma guerra de tréguas contra as classificações anteriores, contra os dualismos simplistas, contra as regras estafadas da última regra.

"Que personagem!" foi a exclamação de ternura irônica, soltada por Dona RacheIle, (que acompanhará fielmente Mussolini, apagada e silenciosa nos tempos áureos, aumentando de dimensão com as dificuldades, assumindo-se a partir de 1945 como chefe do clã,.a viúva, a mulher forte) quando, em 1922, soube que o Rei chamara o marido para fazer governo. "Que personagem!"

Basta passar os olhos pela imprensa europeia da época, ouvir os seus contemporâneos - "Se fosse italiano, estaria consigo, seria fascista" afirmou-lhe ChurchilI em Roma; "Homem da Providência" chamou-lhe Pio XI - olhar uma velha fotografia ou um velho filme, escutar um disco da época, para compreender o carácter carismático, espantosamente popular, deste homem que, em Dezembro de 1944, a quatro meses da morte e da derrota, apesar de espantosos sofrimentos da guerra, da miséria, dos bombardeamentos, apesar da dureza do terrorismo e do contraterrorismo, ainda juntava 100 mil pessoas, no seu último discurso público em Milão ...

"Que personagem" ... Para Sir Ivone Kirkpatrick, que serviu em Roma nos anos áureos do Fascismo, a personalidade de Mussolini, o desdobramento entre o flamejante homem público e o chefe de família bisonho com horror à vida mundana, que conduzia o seu automóvel e se fechava na Vila Torionia, com a família, correspondia a uma realidade: "Esta vida solitária que escolhera e que lhe dava uma utilíssima auréola de mistério, correspondia, no fundo, aos seus gostos. A simplicidade também. O luxo não o seduzia. O dinheiro só lhe interessava na medida em que lhe servia para as necessidades correntes. Nunca trazia nenhum consigo (...) Os títulos e outras honrarias vãs também não lhe interessavam. Assim o exemplo de austeridade que dava à Itália, não implicava nenhum sacrifício pessoal."

"Ninguém o compreende" - "Ora manhoso, ora ingênuo; ora brutal ora dócil; vingativo e pronto ao perdão, generoso e mesquinho, é o homem mais complicado e mais contraditório, que jamais conheci" - escreveu Fernando Mezzasoma, um dos companheiros do Duce, na última semana de vida de ambos ...

As raízes e os mestres

Talvez alguns dados biográficos abram chaves para o personagem.

No mapa da Itália, em plena Romagna, equidistante de Florença e Bolonha, vizinha a Forli, fica a aldeia de Dovia de Predappio. Ali, ou mais exatamente, numa casa grande e em mau estado sita na colina próxima, num lugar conhecido por Varano da Costa, nasceu há cem anos, filho do ferreiro anarco-socialista revolucionário Alessandro Mussolini e da professora primária Rosa Maltoni, o futuro Duce do Fascismo logo baptizado com os nomes de Benito Amilcare; Benito, do revolucionário mexicano Benito Jurarez; Amilcare e Andrea dos anarquistas italianos Amilcare Cipriani e Andrea Costa, este secretário de Bakounine. Todo um programa.

Local de nascimento de Mussolini (nascido a 29 de julho de 1883), em Dovia de Predappio, Forlì em Emília-Romanha, Itália. Hoje em dia, a casa é utilizada como um museu.

Alessandro é um autodidata revolucionário, um bakouninista fervoroso, que fundou uma secção da Internacional em Pedrappio, que está presente em todas das desordens e escaramuças contra as autoridades, familiar de tabernas e da palha do cárcere por razões políticas; um desses curiosos cruzamentos de livre pensador e socialista avançado, que assim definia o socialismo: "A ciência iluminando o mundo; a razão levando a melhor sobre a fé; o livre-pensamento derrubando os preconceitos; livre acordo entre os homens para levar uma vida realmente civilizada; a verdadeira justiça estabelecida sobre a terra; uma harmonia sublime de ideia, pensamento e ação."

Depois de uma conturbada estadia nos Salesianos de Faenza, onde o seu anticlericalismo consanguíneo explode violentamente, o jovem Mussolini inscreve-se na Escola de Forlinpoli, iniciando na vida acadêmica atividades de orador e jornalista, conhecendo uma paixão platônica, iniciando-se nos amores menos platônicos. E também na política.

Com fama de subversivo e revolucionário, o professor Benito Mussolini só consegue um lugar na escola primária de Piave de Saliceto, uma aldeia de Gualtieri - "a comuna mais vermelha da Itália". Ao fim de algum tempo, entretanto, decide sair da Itália e ir para a Suíça.

E é o cortejo clássico das penas e trabalhos de todos os emigrantes e emigrados: a fome, a humilhação, o ressentimento, os sonhos de grandeza e de vingança. Mussolini trabalha como pedreiro, como carniceiro, como moço de recados, numa fábrica de chocolates. É preso por mendicidade e por vagabundagem, dorme debaixo das pontes, a roupa em farrapos, o ar voluntarioso e patibular (como se vê nos retratos, aos 20 anos, na prisão) uma medalha de Karl Marx ao pescoço que pouco o recomendará à polícia helvética!

Fotografias da prisão de Mussolini pela polícia suíça, no Cantão de Berna, 19 de junho de 1903.

Mas em Lausana é ajudado por Vilfredo Pareto e na biblioteca universitária lê Blanqui, Kropotkine, descobre Gustave Le Bon e, sobretudo, Georges Sorel. Sorel é todo um novo mundo para o jovem revolucionário apaixonado, frequentador dos círculos niilistas e marxistas da Brasserie Landolt, onde Angélica Balabannoff completa a sua educação revolucionária, fazendo-o ler dos idealistas alemães aos socialistas utópicos; e sobretudo Proudhon que Mussolini acha "genial".

Mas Sorel é a grande descoberta ... Sorel com o seu "socialismo ético", a sua "metafísica sindicalista", o seu primado do Mito sobre a utopia; o marxismo heterodoxo, voluntarista, aristocrático. E toda uma filosofia e teoria de Acção. "Para mim o essencial era agir. Mas repito que é a Sorel que devo mais. Foi este mestre do Sindicalismo que, pelas suas rudes teorias sobre a táctica revolucionária, contribuiu mais para formar a disciplina, a energia e o poder das coortes fascistas" dirá, num jeito empolgado e romantizado, retrospectivamente, em 1922...

E depois de Sorel, Nietzsche... Esta força da natureza, descidamente, não recua perante nada... Nietzsche, o grande irracionalista, o grande niilista, o grande iconoclasta, o inimigo de Sócrates e da tradição racionalista europeia - de que Marx é, pelo menos em certa direção, um produto acabado. Nietzsche, que o "socialista fascista" Drieu la Rochelle contraporá a Marx, num texto célebre, serve de inspirador a Mussolini. "Nietzsche marca o centro de um próximo regresso ao ideal. Mas de um ideal fundamentalmente diferente daqueles nos quais acreditaram as gerações passadas. Para o compreender, ver-se-á surgir uma nova geração de espíritos livres, fortificados pela guerra, pela solidão, pelos perigos graves aos quais terão estado expostos, espíritos que hão-de conhecer os ventos, os glaciares, a neve das altas montanhas e saberão medir, com um olhar sereno, toda a profundidade dos abismos" - escreverá, depois, num texto cujo estilo deve bastante ao mestre descoberto...

Ao niilismo nietzschiano junta-se, nesta fase, um profundo anticlericalismo e anticristianismo com a repetição de uma cena clássica dos ateus militantes da época há um episódio paralelo nas biografias de Antero - de relógio na mão dando cinco minutos a Deus para o destruir. E curiosamente, o socialista extremista utiliza argumentos nietzschianos para atacar o Cristianismo "culpado de ter feito cair o magnífico edifício do império romano, enfraquecendo com ideologias, a sua resistência aos golpes dos bárbaros".

O Socialista Revolucionário

Organizador de greves, agitador permanente, indomável, violento, a sua divisa nesta época é bem Arresto, Carcere, Sfratto (Detenção, Prisão, Expulsão).

Assim vai seguindo, personna non grata das autoridades suíças (bem habituadas entretanto a revolucionários de todos as matrizes) de Lausanne para Genéve; de Genéve para Anemasse no lado francês do Uman; depois outra vez na Suíça, em Zurique; depois na Alemanha; depois Berna.

1905 é o regresso a Itália para o serviço militar; e a morte da mãe, que o abala profundamente. A família Mussolini muda-se para Forli, onde Alessandro monta um café-restaurante. Mas a partir de 1908, o professor revolucionário Benito Mussolini é imparável; nesse mesmo ano propõe casamento a Rachele Guidi, e logo em princípio de 1909 parte para Trento para trabalhar nos jornais de Cesare Battisti o diário Il Popolo e os semanários La Vita Trentina e E Avvenire del Lavoratore. Por pouco tempo, já que os austríacos o expulsam, em Setembro, pelas suas ações irredentistas e sindicalistas.

Na Itália de novo, Mussolini instala-se em Forli e junta-se com Rachele; além de secretário da federação local do partido socialista é diretor-redator de La Lotta di Classe; ganha 120 liras por mês, das quais entrega 20 ao Partido. Na Itália de então, menos de meio século de unidade nacional, feita por homens e interesses do Norte, com o sufrágio censitário (apenas 3 milhões, em 36 milhões de habitantes são eleitores) o absentismo de consciência dos católicos, consolidam numa forte e reduzida oligarquia burguesa o poder político e econômico.

O Partido Socialista é um partido pequeno-burguês, reformista, com os seus líderes como Filipo Thrati, Bonomi, Salvemini, voltados para uma ação mais de enquadramento das massas, que da sua agitação revolucionária.

É neste quadro que Mussolini se revela como líder... Como escreveu Pietro Nenni "Um homem, Mussolini, pareceu ter o poder de estar ao mesmo tempo em toda a parte atraindo o entusiasmo revolucionário das massas... Estava sempre disposto a sacrificar a teoria à ação. A sua divisa era desde que pudéssemos combater. E, quando não havia nenhuma possibilidade de combater o Estado, devíamos combatermo-nos mutuamente, porque ele achava que assim fortificávamos os nossos músculos e preparávamos os nossos espíritos."

Bem cedo, começam os choques entre o jovem revolucionário radical e maximalista e os dirigentes partidários; em 1910 - ano do nascimento da filha Edda e da morte do pai, Alessandro - Mussolini torna-se notado como orador e polemista; em 1911, toma parte na campanha contra a guerra na Tripolitânia, falando nos comícios em Forli, dirigindo a ocupação da cidade pelos socialistas e, de picareta na mão, arrancando as pedras das ruas para fazer barricadas ... "A sua eloquência lembrava a de Marat" - recorda Nenni que, ao tempo, era dirigente republicano.

A ordem é restabelecida. Mussolini é julgado e condenado a um ano de prisão; Nenni também. "Passávamos - escreve nas suas Memórias - muitas horas juntos, fechados na nossa célula, a jogar às cartas, a ler, a traçar planos de futuro. O nosso autor favorito era Georges Sorel, com o seu desprezo pelo compromisso parlamentar e pelo reformismo. Mussolini não era um fetichista, um fanático marxista. Era um socialista por instinto e por tradição familiar; era, sobretudo, um rebelde... Prisioneiro modelo, indulgente para os hóspedes habituais da prisão, encontrava desculpas para todos e para tudo e justificava os seus crimes pela injustiça social".

Na prisão, Mussolini faz traduções, escreve para La Lotta di Classe e cartas a Raquel. E passa atrás das grades o Natal de 1911...

No Congresso de Regio d' Emilia, em Julho de 1912, Mussolini vai, pela primeira vez, defrontar abertamente a linha oficial do partido... É um homem jovem, de traços agrestes, com uma barba de dias, os bolsos cheios de jornais, roupas coçadas, sapatos baços... Defende contra a colaboração de classes, a luta de classes, a dialéctica explorador-explorado, faz a apologia da violência e da luta armada... E exige a exclusão de Bissolati, de Bonomi, de Cabrini, de Guido Prodrecca... O congresso apoia por 12556 votos, "o antipapa do socialismo oficial de Roma e de Milão", Mussolini, que é eleito membro do Comitê Executivo... "A entrada de Benito Mussolini na nova equipe dirigente do Partido Socialista Italiano mostra que este tomou finalmente o bom caminho", afirma Lenine na ocasião.

Assim, como por magia, "este jovem notável, seco, rude, impetuoso, extremamente original", este revolucionário "em que o espírito das barricadas domina a disciplina marxista" torna-se, da noite para o dia, não só a "personalidade mais influente" do Partido Socialista, como, em 1 de Dezembro de 1912, o diretor do Avanti, órgão do Partido.

Um jornal é, como ensinou Lenine, muito mais que um jornal; é, sobretudo, um organizador coletivo; Mussolini, em três meses, quintuplica de 20 para 100 mil a tiragem do Avanti. Processos, julgamentos, violência... No ano seguinte funda uma revista: "Utopia"; e escreve no seu editorial:

"As massas, chamadas à busca de um novo reino, têm menos necessidade de conhecer que de acreditar. Do mesmo modo que se pode ser um bom cristão sem compreender a Teologia, pode-se ser um bom socialista sem ter lido todas as grandes obras do socialismo. A revolução socialista é um ato de fé".

A Guerra e a Intervenção

A nossa geração é, por vezes, levada a subestimar o papel da Primeira Grande Guerra de 1914-18, no fim do velho mundo e no nascimento do outro. Pela primeira vez no conflito entre nações houve a guerra total (os nortistas tinham-na executado já na Guerra Civil americana); a guerra foi industrializada, democratizada, massificada; guerra química, mobilização geral de efeitos nunca vistos, como a metralhadora, as trincheiras e a guerra de posição a contribuírem para massacres nunca imaginados...

Desta Guerra nasceriam as grandes revoluções ou melhor, os modelos inspirados nas grandes ideologias revolucionárias alcançariam o poder; o triunfo do bolchevismo é uma consequência das derrotas dos Exércitos czaristas; o Nacional Socialismo é a consequência da derrota alemã e do Ditado de Versalhes; o Fascismo italiano é produto do ressentimento de uma "vitória traída".

Mussolini em seus trajes militares, quando, em 1917, serviu em nome da Itália, na Primeira Guerra Mundial.

Mussolini, no Congresso de Ancona (Maio de 1914), viu consagrada a sua liderança - conseguiu a expulsão dos franco-maçons do Partido Socialista, apesar da oratória inflamada de Orazio Raimondo; viu sancionada a sua direção no Avanti e a sua chefia carismática como "o homem indispensável" para um "movimento revolucionário autêntico"; colheu os frutos da estratégia de usar um jornal como o porta-voz de um espírito revolucionário nas massas italianas. E, em Junho de 1914, os progressos do Partido nas eleições municipais consagraram a nova linha dura.

Ao mesmo tempo, a sua vida sentimental é tão atribulada e complexa, como a sua vida política: entre a belíssima judia veneziana Margharita Sarfatti, cronista de arte do Avanti e a exótica anarquista Leda Rafanelli; entre a austríaca Ida Dalser e a fidelíssima Dona Rachele, Mussolini oscilará, viverá, manterá, por esta época, ligações tumultuosas e apaixonadas, que, entretanto, em nada afetarão a sua combatividade e agressividade. "Homem coberto de mulheres" - a seu modo sê-lo-á sempre - é-o como um condottiere renascentista ou um meridional machista - sem complexos, sem problemas, na antítese da paixão romântica, impossível, do amor "ocidental" e trovadoresco.

1914 foi também a libertação das "paixões nacionalistas" e, sobretudo, das tensões e violências acumuladas por quase um século de paz geral na Europa impostas pelos "reacionários" e realistas signatários da Paz de Viena, que atendiam mais à natureza das coisas que às paixões ideológicas, mais à História e ao equilíbrio que aos nacionalitarismos ou à vontade dos Povos. Nas vésperas do conflito, a seguir ao atentado de Sarajevo, Mussolini faz rápida e profeticamente a análise do que se vai passar: "Vejamos claramente as coisas. Os impérios centrais, atacando a Sérvia, atacam a França e a Inglaterra. Uma conflagração geral é então inevitável. Estou convencido que os socialistas alemães seguirão o seu Imperador. A Internacional Socialista vai voar em estilhaços. Os socialistas franceses encontrarão no marxismo excelentes razões para pensar que uma tal guerra é a agressão de uma potência militar de carácter feudal contra uma democracia que, por ser burguesa, não deixa de ser progressista. Poder-se-ão, pois, tornar soldados da pátria sem experimentar os menores escrúpulos. Confesso não poder condená-los. Nenhum abismo se abre para eles, entre os imperativos da realidade e a sua consciência socialista."

E como o seu confidente, Michele Campagna, fazendo-se de advogado do diabo lhe citasse por seus discursos anti-belicistas no passado, Mussolini vai retorquir, nessa viagem de regresso a Milão, em Junho de 14, "( ... ) Não era a mesma coisa ( ... ) Trata-se, aí, de uma guerra de agressão. Pelo contrário, esta guerra pode trazer a salvação à Itália. Pode resolver o problema de Trieste e do Trentino, arrancá-los às garras da Áustria, país que o irredentista Cesare Rossi me ensinou a considerar como o inimigo da liberdade. E esta guerra pode, também, aproximar o desencadear da Revolução".

Como análise política a futura lógica não era má... As coisas vão passar-se assim... Em 28 de Julho, a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia; em Berlim, os sociais-democratas votam os créditos da guerra e em Paris reina o espírito de "união sagrada", batizado pelo assassinato de Jaurés.

A classe política italiana divide-se entre os partidários do respeito pela Aliança com os Impérios Centrais, os partidários de uma intervenção ao lado da Entente e os defensores da não intervenção entre os quais está Mussolini. Aliás, a guerra produz um realinhamento de tendências e de divisões dentro de "direitas" e "esquerdas", como sempre sucede quando questões vitais se chocam com dicotomias ideológicas ou tradicionais.

Os nacionalistas, sindicalistas e republicanos, que vêem na guerra a realização e conclusão dos objetivos lançam uma violenta campanha intervencionista. Mussolini hesita, oscila entre os interesses da realidade histórica e nacional e os princípios ideológicos pacifistas contra a "guerra burguesa". Em La Voce, Giuseppe Prezzolini desafia-o nestes termos "Caro. Mussolini, ou cão, ou lebre. Mas ainda é tempo de escapar. Liberte-se desse equívoco. Deixe que a sua alma guerreira se manifeste inteiramente!"

Em 18 de Outubro de 1914, Mussolini decide-se e publica no Avanti um artigo Del Ja neutralitá assoluta alla neutralitá attiva ed operante que, em substância, representa um salto qualitativo no sentido de um socialismo integrado na tradição risorgimentale romântica, do garibaldismo e do mazzinismo. O Partido Socialista não pode fazer de avestruz e tem de estar consciente do momento e da realidade histórica. O Executivo Socialista reage violentamente, convocando uma reunião para Bolonha, quarenta e oito horas depois. Mussolini está sozinho e é demitido da direção do Avanti.

Regresso á estaca zero. Mas, menos de um mês depois, lança um novo quotidiano, Il Popolo d'Itália, apoiado financeira e logisticamente por Filippo Naldi, dono de Il Resto deI Carlino de Bolonha. - E será a partir do jornal, onde apela sobretudo aos jovens ("Dirijo-me a vós, jovens de Itália, jovens das fábricas e das universidades, jovens em idade e jovens em espírito, que pertenceis a uma geração escolhida pelo Destino para modelar a História.") que vai nascer o fascínio e o folclore próprio do fascismo: a bandeira negra dos arditi com a caveira e o punhal, um revólver carregado e uma granada na mesa de trabalho do diretor, aonde se acumulam livros, papéis, provas, jornais. E começam as cartas e as adesões, de entre nacionalistas e socialistas, entre conservadores e sindicalistas revolucionários. De Croce a Prezzolini, de Papini a d'Anunnzio, de Corridoni aos irmãos Garibaldi, um movimento de solidariedade acolhe o recém convertido ao intervencionismo ("O partido socialista expulsa-te a Itália recebe-te!") - telegrafa Prezzolini.

"Enquanto tiver uma pena na mão e um revólver no bolso, não tenho medo de ninguém. Sou forte mesmo se estiver só e precisamente porque estou só" - desabafa Mussolini com os seus colaboradores numa tirada de sabor nietzschiano, depois de expulso ruidosamente do Partido Socialista. Em Dezembro, Fillippo Corridoni, Cesare Rossi e Alceste de Ambris, convidam Mussolini para se juntar a eles nos Fasci d'Azione Rivoluzionaria e, em 24 de Janeiro de 1915, trinta pessoas reúnem-se em Milão no ato fundacional do movimento.

A Guerra contra a Áustria, declarada em 24 de Maio de 1915 (contra a Alemanha só será no Verão de 1916) encontra os Italianos com muito entusiasmo entre os civis, mas com um Exército mal armado, mal equipado, sem quadros, com terríveis deficiências no parque automóvel, de artilharia e sanitário. Mussolini, voluntário mobilizado em Setembro de 1915, parte para a frente como simples soldado. Combate e medita sobre a guerra: "O militarismo made in Germany não tem saída na Itália. Aliás, esta guerra, feita pelos povos e não pelos exércitos profissionais, marca o fim do militarismo das castas, do militarismo profissional. A enorme maioria dos oficiais italianos veio da vida civil com a militarização. Todos os quadros subalternos são formados por tenentes e alferes milicianos que se batem e morrem como heróis... " escreveno seu Diário de Guerra - misturando as reflexões sobre a vida no Exército e a mecanização da Guerra moderna, com evocações dos Natais da Infância e uma certa melancolia. "Neve, frio, aborrecimento infinito. Ordem, contraordem, desordem".

Em Fevereiro de 1917, Mussolini é ferido gravemente; hospital, convalescênça passam-se nesse ano decisivo entre todos na História do Mundo em que a Revolução avança na Rússia e que o slogan de "paz imediata" é espalhado pela Terceira Internacional que se prepara para cumprir o objectivo leninista "transformar a guerra burguesa em guerra civil, em guerra contra a burguesia."

Em Turim, em Agosto, rebenta uma violenta insurreição, reprimida severamente: 50 mortos, 200 feridos e 1 500 prisões... Mas o derrotismo é forte nas fileiras e para o reforçar contribui a incompetência do Alto-Comando Italiano, bem expressa no desastre de Caporeto - 40 mil mortos, 90 mil feridos mais de 300 mil prisioneiros, outros tantos fugitivos, que em Novembro de 1917 deixa a Itália exposta à invasão.

Depois de Caporeto, impõe-se um espírito de "salvação nacional", um "Tigre" como Clemenceau. Mussolini faz-se eco deste sentimento ("Nós que quisemos a Guerra, devemos conquistar o poder... Peço homens terríveis. Peço um homem terrível, que tenha energia de tudo quebrar, a coragem de punir e de ferir sem hesitação, e tanto mais fortemente quanto o culpado esteja altamente colocado (...) Hoje devemos enfrentar o problema da qualidade... Nós, jovens, nunca me canso de o repetir, cometemos um erro grave: metemos a nossa juventude nas mãos dos velhos").

Em Outubro de 1918 inicia-se a ofensiva na Venetia que levará ao triunfo de Vittorio Veneto e ao armistício de 4 de Novembro com os Austríacos. Golpe por golpe, a honra estava salva e, com o ritual ancestral, em Milão a multidão aclamava em 10 de Novembro os soldados vencedores.

Enquanto os vivos festejavam, certa melancolia invade o País... 600 mil mortos, um milhão de feridos, dos quais 220 mil mutilados. E os custos financeiros e a perda da maioria da Marinha Mercante, e a desolação e morte dos desastres da Guerra.

Na hora da Vitória, Mussolini arenga aos arditi, de punhal e bandeira na mão; combatente, festejado pelos combatentes, regressa noite alta ao Popollo d' Itália para escrever o editorial. E nessa noite do Outono milanês, ele sabe, como alguns outros que "A vida como antes já não é mais possível"...

Milão, Domingo, 23 de Março de 1919; no número 9 da Piazza San Sepolcro, 119 pessoas numa reunião presidida pelo romântico e radical Ferruccio Vecchi; lançam-se as bases programáticas e o estilo dos Fasei de Combatimento: irredentismo e revindicação nacionalista; sufrágio universal proporcional, voto para as mulheres; referendum e voto popular; dissolução das sociedades anônimas; confiscação dos bens das congregações religiosas; dia de trabalho de oito horas; salário mínimo, controle e cogestão operários; reforma agrária; estes são alguns dos pontos deste programa "muito à esquerda" e que ficará sempre, para a velha guarda fascista revolucionária, o Eldorado traído pelas exigências de estratégia da conquista do Estado, pela conciliação com os poderes conservadores depois da vitória.

Estes fasei de combatimento irão crescer rapidamente, nos anos seguintes, sobretudo entre antigos combatentes e jovens universitários: em finais de 1920 haverá 88, com 20.165 membros; em 1921 serão 834 com 249.036 membros; e em finais de 1922, na ocasião da marcha sobre Roma serão 3424 com 299.876 membros. Mas, mais que a quantidade, o fenômeno será qualitativo e, sobretudo, inaugurará um novo estilo. Os acontecimentos de Milão em Abril de 1919, são nesta matéria exemplares.

Em 13 e 14, manifestantes socialistas ocupam praticamente o centro da cidade; além de atacarem edifícios públicos, enfrentam-se com a força pública. Marinetti, o chefe-de- fila dos futuristas, dirige-se à sede do Popolo d' Itália e informa Mussolini que será melhor entrincheirar-se no jornal e preparar-se para repelir um ataque dos socialistas, cujo slogan é "É preciso incendiar o Popolo d' Itália e pendurar Mussolini". Rapidamente, Mussolini e Ferruccio Vecchi organizam a defesa; Vecchi recorre ao grupo de autodefesa dos oficiais locais, juntando 150 homens; mais 300 oficiais alunos do Politécnico, comandados pelo Tenente Chiesa, juntam-se a este núcleo.

Na tarde de 15, cerca de 20 mil socialistas marcham em direção ao Popolo d'Itália; os fascistas armados, dirigidos por Vecchi, Marinetti e Pina, vão ao seu encontro, travando-se uma verdadeira batalha de rua, com tiros, matracas e punhos; os fascistas têm 3 mortos e 150 feridos mais ou menos graves; os socialistas não tornaram públicas as suas perdas, que são entretanto mais graves.

Vecchi e o seu comando de arditi decidem, com uma centena de homens, atacar e incendiar o Avanti, na Via San Damiano. E fazem-no, apesar da oposição das tropas e dos socialistas de guarda. O jornal é saqueado, destruído e incendiado.

E assim começa a Guerra Civil

No quadro das forças políticas, o aparecimento dos popolari de Don Sturzo, marca o fim do absentismo católico e os primeiros passos da democracia cristã; em Outubro de 1919, no décimo quarto Congresso do PSI em Bolonha, os marximalistas revolucionário de linha leninista vencem os reformistas moderados... Trata-se de um aventureirismo revolucionário, sem contato com a realidade, sem atender a condições objectivas, sem querer alianças. O jovem Gramsci, cético, escreve em Ordine Nuovo, depois da vitória de Giacinto Serreti: "A conquista do Estado pelos proletários só será possível quando os operários e os camponeses tiverem criado um sistema de instituições capaz de se substituir às instituições do Estado democrático-parlamentar..."

O primeiro Congresso Fascista, em Florença, é também marcado pelo maximalismo e pelo revolucionarismo: ataques à Monarquia e ao Vaticano, um programa de confiscações dos lucros de guerra, de política fiscal radical sobre as heranças e as rendas, de secularização do Estado, de reforma revolucionária das instituições militares, criando a "Nação em Armas".

Nas eleições de Novembro, os resultados são favoráveis aos socialistas extremistas, que elegem 156 deputados nos 530 do Parlamento; aos liberais que recebem 129; e aos "populares" que conseguem 103; para os fascistas é o desastre.

No rescaldo da derrota, os socialistas passeiam por Milão, em mascarada, os caixões de Mussolini, de Marinetti e de D' Anunnzio; Mussolini é detido e posto a seguir em liberdade; o ano de 19 acaba para ele na maior desolação, apesar do entusiasmo despertado pela expedição poético-militar de D' Anunnzio a Fiume.

1920 é o ano crucial; o maximalismo e a violência socialistas, assustam a classe média nas cidades e os pequenos agricultores nos campos. Assim, um pouco por toda a Itália, ao constituírem pólos de resistência ativa as squadre fascistas, geralmente chefiadas por ex-oficiais milicianos, ganham força na província e sobretudo, nas zonas de irredentismo como na Istria, Carso e Gorizia. Por outro lado, nos recontros entre os socialistas e as forças da ordem, entre Abril de 1919 e Abril de 1920, enquanto os socialistas contam com 145 mortos e 444 feridos, as forças policiais e militarizadas registam perto de 1.000 mortos e 3.000 feridos. A violência da esquerda é, nesta época, uma realidade.

E no Outono-Inverno de 1920, a violência generaliza-se a toda a Itália; nas fileiras fascistas, aos velhos sindicalistas e nacionalistas, juntam-se Italo Balbo e Dino Grandi; o primeiro organiza em Ferrara uma Aliança de defesa cívica - uma verdadeira condotta de homens violentos e destemidos que lançam o terror entre a esquerda da região; Grandi, patriota, republicano, anticlerical e sindicalista, é um nietzschiano, cujas influências entroncam em Sorel, em Prezzolini, e sobretudo em D' Anunnzio e na aventura heroico-rocambolesca de Fiume, e nos princípios da Carta de Carnaro.

Viragem "à direita" e triunfo

A nova vaga fascista encontra a sua confirmação eleitoral nas eleições de 15 de Maio de 1921. Trinta e cinco fascistas entram no Parlamento, entre os quais Mussolini, que recolheu 124.918 votos em Milão e (apresenta-se por dois círculos) 172.491 votos em Bolonha. E Grandi, Balbo, Bottai, De Vecchi, Farinacci e outros futuros hierarcas do Vintennio são também eleitos. Na escolha dos lugares do hemiciclo, simbolicamente, Grandi pretende que os fascistas se sentem na extrema esquerda, que sejam a Montanha da Esquerda. O Duce opta pela extrema-direita, para defrontar socialistas e comunistas...

Mussolini muda crucialmente de táctica e de discurso; falando no Parlamento, afirma-se "liberal" em economia: "É preciso abolir o Estado colectivista, tal como a guerra no-lo transmitiu pela necessidade, e voltar ao Estado manchesteriano" e elogia a Confederação Geral do Trabalho , "que se conservou patriota como o fascismo"; defende reformas sócio-laborais profundas mas afirma-se hostil "a todas as tentativas de socialização, de estatismo e de colectivismo"; também o ateu militante e o livre pensador deu lugar a um respeitabilíssimo agnóstico que proclama que a "tradição latina e imperial de Roma é representada hoje pelo catolicismo (...) que a única ideia universal hoje existente em Roma emana do Vaticano...".

E, ao fechar, o segundo Mussolini, volta-se para socialistas e comunistas... "Para nós, a violência não é um sistema, não é um desporto... Estamos dispostos a desarmar-se... vós desarmardes por vossa vez, sobretudo os espíritos...".

O discurso que marca a ruptura com o fascismo revolucionário, romântico, marginal e niilista do pós-guerra é uma ponte para o fascismo nacionalista, autoritário e conservador do futuro regime, é, no plano da estratégia, uma carta de respeitabilidade, moderação e equilíbrio, que, desagradando profundamente aos jovens como Balbo, Grandi e Farinacci, representa um tranquilizante e um presente envenenado para os seus inimigos a quem oferece, pura e simplesmente, uma trégua e a pacificação. Estas são formalmente acordadas em 2 de Agosto, na Câmara, entre socialistas e fascistas apesar de alguns dias antes, em Sarzana, numa emboscada armada a um desfile fascista, os socialistas e a polícia terem morto 20 fascistas e ferido mais de 100, sem em contrapartida terem tido baixas.

E é a crise, dentro do movimento; os fascios de Bolonha, Ferrara, Cremona, Modena, Rovigo, Piacência, Forli e Veneza afirmam-se completamente adversos e não vinculados pelo acordo de pacificação. Objectivando este espírito, e para comemorar o seiscentésimo aniversário da morte de Dante, os fascistas radicais organizam uma marcha sobre Ravena, com 3.000 homens em formação de combate, que aterrorizam os socialistas, destruindo centros políticos e sedes inimigas.

O Congresso de Roma em Novembro, reúne mais de 20 mil delegados, representando um efetivo de 250 mil membros dos fascios, cuja repartição sócio-profissional é calculada nos seguintes termos: cerca de 100 mil pertencem às classes médias (proprietários rurais, estudantes, comerciantes, funcionários, profissões liberais, professores) e dos restantes uns 80 mil são trabalhadores agrícolas e cerca de 60 mil, operários industriais.

Mussolini e Grandi defrontam-se teórica e estrategicamente: o primeiro defendeu uma linha que se poderá dizer de abertura à direita, de aliança com os nacionalistas e conservadores, de liberalização econômica; o segundo insistirá na linha do primeiro fascismo. Mas, na grande questão em disputa, o pacto de apaziguamento, Mussolini cede a Grandi, e afirma que tal pacto "pertence ao passado, não é senão um episódio retrospectivo". E, além da reconciliação entre os dois homens, o décimo primeiro congresso sanciona a transformação do movimento dos faschos de ação revolucionária em Partido Nacional Fascista.

Mussolini à frente das Squadre d'Azione na Marcha Sobre Roma em 28 de outubro de 1922

Menos de um ano depois, em Outubro de 1922, seria a Marcha sobre Roma, uma operação político-militar de assalto ao Poder em que, um grupo dotado de vontade, disciplina, unidade estratégica e filosofia de ação, jogando magistralmente com as divisões e as contradições dos seus inimigos, triunfaria do velho sistema liberal, incapaz de conter, por mais tempo, as paixões nacionais e sociais que a Guerra e a "vitória traída" tinham trazido à Itália. 

Comentários

  1. Qual que eu leio para dar uma continuação ao texto? Ta legal a história.

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Definição:
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