segunda-feira, 30 de junho de 2014

Falsificação de fotografias, uma prática soviética


Talvez para muitos, mas com certeza não para todos, seria "ficção" ou no mínimo espantoso dizer que a URSS fora bastante adianta e pioneira no estilo de manipulação de propaganda e arquivos conhecido no século XX. Mas quando nos deparamos com o seu histórico de manipulação de imagens, vemos que somente um tolo, ou aqueles que não queiram ver não admitam como os aliados encaram de fato a "realidade dos fatos" até hoje.

Depois que Josef Stalin subiu ao poder no Partido Comunista da União Soviética e tornou-se líder soviético, iniciou uma série de expurgos que eliminaram inimigos percebidos. No inicio, os expurgos significavam a expulsão do Partido Comunista, mas, após o Grande Expurgo na década de 1930, os membros seriam detidos, encarcerados, enviados para gulags ou ao exílio interno na Sibéria, ou executados.

O governo soviético tentou apagar algumas figuras que expurgava da história soviética, e tomou medidas que incluíam falsificação e alterações de imagens, destruindo filmes, e em casos mais extremos, matando famílias inteiras.

Acusam-se as autoridades da antiga União Soviética, de praticar modificações e adulterações de fotografias com objetivo de propaganda do regime e "reescrever o passado." Segundo estas alegações, as fotografias foram cortadas com um bisturi.

As técnicas de modificação são muito primitivas em comparação com as modernas técnicas digitais, e exigem uma alta competência e técnicos altamente qualificados. Em algumas destas fotografias, as modificações são muito toscas e fáceis de identificar. Hoje, consideram-se as seguintes explicações para o aspecto bruto das fotografias:

a aparência rústica é evidente somente para nós, que possuímos uma cultura iconográfica mais ampla que os receptores das fotografias alteradas, que carecem de nossa sofisticação visual;
a primitividade foi involuntária e impossível de evitar, porque a tecnologia da época não possibilitava um trabalho melhor.

Apesar da grande importância de Leon Trotsky para a revolução de 1917, ele "caiu em desgraça" entre 1925 e 1929, o que significa que foi vencido em uma disputa interna dentro do Partido Comunista, onde saiu vencedor o stalinismo. Stalin, por isso, decide eliminá-lo da História, fazendo com que todos os registros fotográficos onde Trotsky aparecia ao lado de Lênin fossem alterados.

Abaixo, um dos exemplos de modificações fotográficas na União Soviética. A foto original mostra Lenin e Trotsky em frente ao Bolshoi em Moscou. Após o expurgo de Trotsky, a primeira versão seria retocada, o que eliminaria sua figura das fotografias.

(clique para ampliar)

 Fotografia original, em 1920, em frente ao Bolshoi de Moscou, Lenin discursa aos soldados que vão combater contra a Polônia. Trotsky, ao seu lado.

Fotografia retocada, em que Trotsky foi eliminado.

Outros exemplos de como Stalin procurou apagar a memória de Trotsky da História. Na primeira foto, o criador do Exército Vermelho está ao lado de Lênin. A segunda sua figura é retirada, depois das ordens de Stalin.

Fotografia original, tirada em 7 de novembro de 1919, durante a celebração do segundo aniversário da Revolução de Outubro.

Fotografia retocada, em que três pessoas: Trotsky, Lev Kamenev e Khalatov são retirados.

A versão original desta foto (acima) mostra Nikolai Yezhov, o jovem à esquerda de Stalin. 

Na versão modificada (abaixo), a sua imagem foi removida pelos censores soviéticos.

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